SILÊNCIO NA CORPORAÇÃO
PM impede esclarecimentos sobre celular desaparecido de tenente baleado
Comando da Rota proíbe manifestação oficial sobre aparelho do tenente Ronickson Pimentel dos Santos, peça considerada fundamental para elucidar atentado.
O paradeiro do celular do tenente Ronickson Pimentel dos Santos, baleado na cabeça em São Caetano do Sul, permanece um mistério após a Polícia Militar impedir esclarecimentos sobre o item. O aparelho, que não foi entregue à Polícia Civil junto aos demais itens apreendidos logo após o crime, ocorrido em 27 de junho, é visto por investigadores como uma peça-chave para desvendar a motivação e a dinâmica do atentado contra o oficial da Rota.
Em nota enviada à reportagem na quarta-feira (29/7), o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar (CCOMSOC) foi taxativo ao restringir informações sobre o caso: “A demanda não está autorizada a ser respondida ao solicitante”. A decisão bloqueia qualquer manifestação do comando da Rota, gerando apreensão entre aqueles que buscam justiça para o tenente, que, embora apresente evolução clínica, segue internado em estado grave.
Fontes ligadas às investigações sugerem que o telefone estaria sob a guarda da própria corporação. A ausência desse dispositivo, somada à morte de suspeitos em confrontos, fragiliza a busca pela verdade. “O que mais nos intriga é a motivação. A PM sabe”, afirmou uma das fontes sob condição de anonimato.
Enquanto a Polícia Civil mapeia a logística do crime — que envolveu monitoramento prévio e divisão de tarefas —, o principal suspeito, Hércules da Costa Siqueira, o Golias, segue foragido. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada para comentar a retenção de provas, mas não se manifestou.
A preocupação das autoridades civis se intensifica diante da morte de peças fundamentais para a elucidação, como Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como o piloto da moto usada no crime e morto pela Rota em 9 de julho. O silenciamento sobre o celular de Pimentel é visto como mais um entrave que compromete a dignidade do processo investigativo e a busca por respostas sobre a execução planejada contra o policial.
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