TARIFAS EM FOCO
Planalto considera negociação de tarifa de 25% com EUA travada após recusa americana
Governo Lula avalia que não há flexibilidade por parte do governo Donald Trump e que a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros tende a se consolidar, impactando diretamente a economia.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alterou sua perspectiva sobre as negociações com os Estados Unidos a respeito da possível imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Inicialmente, a expectativa era de que a administração de Donald Trump pudesse ceder, ainda que em troca de concessões. Contudo, auxiliares do Planalto agora avaliam que a gestão norte-americana demonstra pouca flexibilidade, indicando que as tarifas podem se tornar definitivas.
Há duas semanas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação recomendando a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A justificativa aponta para práticas comerciais consideradas ‘desleais’, incluindo o funcionamento do Pix.
O relatório também abrange temas como comércio digital, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o enfrentamento ao desmatamento ilegal.
No dia seguinte, o USTR finalizou outra apuração, que afeta não apenas o Brasil, mas também outros 59 países. O documento alega falhas dessas economias em impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados internos. Para o Brasil, a recomendação neste caso é de uma tarifa adicional de 12,5%.
Em conjunto, as duas medidas podem resultar em uma taxação de até 37,5% sobre exportações brasileiras. Ambas se fundamentam na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974. As propostas ainda passarão por consultas públicas e audiências antes de uma decisão final da Casa Branca. O prazo para contestação é 15 de julho, e a implementação depende da aprovação de Donald Trump.
Desde que a possibilidade da sanção relacionada ao trabalho forçado veio a público, o governo brasileiro já a considerava de difícil reversão. A estratégia inicial do Planalto era priorizar o diálogo para evitar um impacto econômico mais abrangente, com a esperança de reverter, no mínimo, a tarifa de 25%.
Nesse contexto, o governo depositava confiança nas reuniões do grupo de trabalho bilateral, formado no mês passado após um encontro entre Lula e Donald Trump na Casa Branca. O objetivo era buscar um entendimento para mitigar os efeitos econômicos negativos.
Até o momento, contudo, o grupo se reuniu apenas duas vezes. As autoridades norte-americanas não esclareceram quais pontos poderiam ser negociados em troca da eventual suspensão das tarifas. Integrantes do governo avaliam que este grupo é o principal, e quase único, canal para tratar da questão tarifária, reunindo representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty e do USTR.
Apesar do cenário desafiador, a orientação do governo Lula é de manter a insistência nas negociações. Internamente, a avaliação é de que o Brasil deve esgotar todas as vias de diálogo para tentar evitar a sobretaxa, que pode afetar diversos setores produtivos. Simultaneamente, o Planalto busca demonstrar ao setor produtivo que todas as medidas possíveis foram adotadas para tentar reverter a decisão.
Entre terça-feira (16/06/2026) e quarta-feira (17/06/2026), Lula e Donald Trump participaram da cúpula de líderes do G7 em Évian-les-Bains, na França. Durante a viagem, os presidentes apenas trocaram cumprimentos protocolares, sem que o assunto da ameaça de novas tarifas tenha sido abordado. Após os encontros, Donald Trump voltou a fazer declarações polêmicas sobre o Brasil, classificando o país como politicamente ‘duro e perigoso’. Ele também gerou confusão ao comentar o julgamento de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Supremo Tribunal Federal (STF), confundindo-o com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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