ROUBO BILIONÁRIO

Pirataria arrasa mercado esportivo, diz setor

Produtos falsificados, como camisas e tênis, expostos em feira ou loja ilegal, representando a pirataria no setor esportivo.
Comércio de produtos falsificados impacta setor esportivo brasileiro.

Falsificados dominam 34% do mercado nacional, gerando perda de R$ 32 bilhões e 60 mil empregos em 2025.

Um cenário alarmante sobre a pirataria no setor esportivo brasileiro veio à tona em 28 de abril de 2026, durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Renato Jardim, diretor-executivo da Ápice (Associação pela Indústria e Comércio Esportivo), revelou que produtos falsificados já dominam 34% do mercado nacional. Este dado chocante não apenas corrói a economia, mas impacta diretamente a dignidade do trabalhador e a capacidade do Estado de prover serviços, ao custar R$ 32 bilhões em perdas para o comércio legal, R$ 7 bilhões em impostos não arrecadados e impedir a criação de 60 mil empregos formais apenas em 2025.

Jardim detalhou o prejuízo, indicando que 225 milhões de peças piratas foram comercializadas no Brasil em 2025. Esta venda ilegal não só priva empresas de sua receita legítima, mas também rouba da sociedade recursos cruciais que poderiam ser investidos em saúde, educação e infraestrutura, além de frustrar a oportunidade de milhares de famílias de terem um emprego digno.

A proliferação da falsificação ganha novo impulso com a ascensão do comércio eletrônico, conforme apontou o diretor-executivo da Ápice. “O que antes estava predominantemente ligado ao mercado físico, agora se transfere cada vez mais para o comércio on-line. E, naturalmente, o ambiente virtual adiciona desafios significativos: a pulverização e fragmentação das vendas são muito maiores, dificultando o monitoramento e a fiscalização”, explicou Jardim.

Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil, corroborou o desafio, ressaltando que o segmento de moda, onde os artigos esportivos se encaixam, sofre intensamente não só com a pirataria, mas também com a concorrência desleal de plataformas internacionais. Segundo Lima, as empresas brasileiras arcam com o dobro de tributos em comparação com suas rivais globais, que, muitas vezes, comercializam mercadorias de origem duvidosa sem o devido controle fiscal.

Diante da gravidade da situação, o deputado Julio Lopes (PP-RJ), que coordena a Comissão Externa sobre Pirataria, propôs uma ação contundente. Ele sugeriu que os participantes do debate monitorem ativamente o comércio ilegal de suas marcas e enviem os resultados à comissão. O objetivo é notificar e responsabilizar os envolvidos via Procons. Lopes anunciou que, a partir de maio, a Comissão Externa do Brasil Legal notificará influenciadores que promovam a venda ilegal ou contrafeita de produtos e serviços, visando coibir a prática em todas as suas frentes.

Em contrapartida, representantes de grandes plataformas de comércio online se defenderam, garantindo que empregam todas as medidas cabíveis para combater o comércio ilegal. Lailla Malaquias, gerente de Relações Governamentais da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, que representa empresas como Amazon, Shein e Ali Express no Brasil, destacou a criação do programa Remessa Conforme, da Receita Federal, em 2023. Ela afirmou que o setor de comércio eletrônico internacional agora opera sob “fiscalização robusta”, com mais de 98% de regularidade nas mais de 10 milhões de encomendas que ingressam no país mensalmente.

Este texto foi adaptado do conteúdo publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 28 de abril de 2026.

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