NATUREZA CRUA

Piloteiro flagra "briga de gangues" entre ariranhas no Pantanal

Dois grupos de ariranhas brigam violentamente em rio do Pantanal, capturadas por Everton José Androlage
Cena rara mostra ariranhas em confronto direto no Pantanal sul-mato-grossense — Foto: Everton José Androlage

Everton José Androlage registra confronto territorial violento no Paraguai-Mirim; bióloga explica riscos mortais no Pantanal.

A ferocidade da vida selvagem no Pantanal de Corumbá (MS) foi exposta em um vídeo surpreendente, gravado recentemente pelo piloteiro Everton José Androlage. As imagens, que rapidamente ganharam repercussão nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, mostram dois bandos de ariranhas engajados em um confronto territorial intenso no Paraguai-Mirim, braço do Rio Paraguai. Este embate, descrito pelo próprio autor como uma 'briga de gangues', sublinha a gravidade da disputa por espaço entre esses animais sociais, um fenômeno que, conforme a bióloga Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas, pode ter desdobramentos trágicos, incluindo mortes e a desintegração de grupos familiares essenciais à sobrevivência da espécie.

A rara cena ocorreu no coração do Pantanal de Corumbá (MS), onde Everton José Androlage flagrou os animais trocando mordidas e emitindo gritos enquanto disputavam ferozmente seu território no rio. A movimentação intensa e o barulho causado pelos grupos deixaram o piloteiro surpreso, que narrou o momento enquanto registrava o vídeo.

“Eita, briga de ariranha, encontrou dois bandos. Olha isso, cara. Parece gangue”, ele comenta nas imagens. Em outro ponto, a filmagem destaca duas ariranhas atacando-se diretamente: “Olha aquelas duas lá, estão mordendo a cara uma da outra”, observa Everton.

Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas, esclarece que este tipo de confronto é um reflexo do comportamento territorialista das ariranhas. Elas são animais altamente sociais, que vivem em grupos familiares coesos e demarcam rigorosamente trechos do rio como sua área exclusiva.

A especialista explica que quando um grupo intruso é detectado em uma área já ocupada, embates violentos como este podem irromper. “Esses encontros são muito perigosos e podem causar agressões graves, inclusive levando à morte de algum indivíduo”, alerta Caroline.

Além da perda direta de vidas, a bióloga ressalta que a eliminação de um macho ou de uma fêmea dominante pode ter um impacto devastador, desintegrando completamente o grupo familiar e comprometendo a capacidade de reprodução e sobrevivência da espécie.

Registros visuais autênticos e raros, como o capturado por Everton, são de valor inestimável para a comunidade científica. Eles oferecem aos pesquisadores uma compreensão aprofundada do comportamento e da ecologia das ariranhas no Pantanal, auxiliando nos esforços de conservação e na proteção desses magníficos predadores fluviais.

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