DELAÇÃO PREMIADA EM FOCO
PF retoma negociações para delação de Daniel Vorcaro no caso Banco Master
Polícia Federal volta a analisar proposta de acordo com empresário investigado no caso Banco Master. Negociação pode envolver ressarcimento de até R$ 60 bilhões.
A Polícia Federal reiniciou as conversas com o empresário Daniel Vorcaro para um possível acordo de colaboração premiada. Vorcaro é apontado como o principal investigado nos inquéritos que apuram irregularidades no Banco Master. A retomada das negociações ocorre cerca de uma semana após a corporação ter rejeitado a primeira proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro. Informações encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator dos casos, indicam que a PF demonstrou interesse em avaliar novos termos para uma eventual colaboração. A formalização desse interesse ocorreu por meio de um ofício enviado ao magistrado nesta sexta-feira, 29/05/2026. Apesar da reabertura das tratativas, ainda não há um novo acordo de confidencialidade assinado. Fontes ligadas à investigação afirmam que a defesa de Vorcaro ainda não apresentou uma versão atualizada da proposta, mas sinalizou a disposição em prosseguir com as negociações. No documento enviado ao STF, a Polícia Federal ressaltou que qualquer nova oferta de colaboração será examinada, mesmo após a recusa inicial. A legislação não impõe prazos para esse tipo de negociação, permitindo que o investigado apresente propostas que deverão ser avaliadas pelas autoridades. No dia 20 de maio, a PF recusou a primeira tentativa de acordo. Na ocasião, os investigadores concluíram que as informações prestadas por Vorcaro ofereciam pouca contribuição adicional ao material já coletado, que incluía provas como mensagens e conversas extraídas de dispositivos móveis. Após a negativa, a defesa buscou estreitar o diálogo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para construir uma proposta considerada mais substancial. Houve um consenso dentro do Ministério Público de que uma negociação de tal magnitude não deveria ser encerrada após a apresentação de uma única versão. A expectativa de investigadores e procuradores é que uma colaboração bem-sucedida possa incluir mecanismos para o ressarcimento dos prejuízos financeiros estimados em torno de R$ 60 bilhões, atribuídos ao esquema sob investigação. Mesmo com a retomada das discussões, a confirmação de um acordo não é garantida. A aceitação dependerá da apresentação de informações relevantes e inéditas, que comprovadamente auxiliem no avanço das apurações. As primeiras minutas dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa em 6 de maio. Contudo, foram recebidas com ceticismo pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Na época, o ministro André Mendonça também expressou reservas quanto à viabilidade do acordo. Apesar das incertezas, o ministro autorizou o retorno de Daniel Vorcaro a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília, local utilizado para os depoimentos durante as negociações da colaboração premiada.
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