INVESTIGAÇÃO ATINGE SENADOR

PF mira senador Jaques Wagner e Augusto Lima em fase da Operação Compliance Zero

Senador Jaques Wagner e Augusto Lima sob investigação da PF
PF mira senador Jaques Wagner e banqueiro Augusto Lima em 9ª fase da Compliance Zero

Polícia Federal apura ligação entre parlamentar e ex-CEO do Banco Master em esquema envolvendo a rede Cesta do Povo e o cartão CredCesta. Suspeitas incluem propina e imóvel de luxo.

A 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), tem como alvos o senador e líder do Governo no Senado Federal, Jaques Wagner, e o ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima. A relação entre os dois está associada à rede de mercados baiana Cesta do Povo e ao cartão de crédito com benefício consignado CredCesta.

O banqueiro ganhou notoriedade após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), leiloada em 2018. Em nota enviada à editoria de Política do g1 em abril deste ano, Jaques Wagner confirmou que conheceu Augusto Lima em 2017, quando era o secretário responsável por conduzir o processo de privatização da Ebal.

PF mira senador Jaques Wagner e banqueiro Augusto Lima em 9ª fase da Compliance Zero

A Ebal, empresa pública do governo da Bahia, foi criada para atuar no abastecimento alimentar e no comércio varejista de produtos básicos, operando a rede de mercados Cesta do Povo. Ela foi colocada em leilão para a iniciativa privada em 2015, no governo de Rui Costa (PT). O processo foi comandado pelo então governador Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, juntamente com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que era secretário de Desenvolvimento Econômico.

Em 2018, quando a Ebal foi leiloada, a Cesta do Povo também foi vendida, e Augusto Lima adquiriu a rede de mercados. O CredCesta, cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, surgiu na Bahia e tem forte ligação com a Cesta do Povo. Com a compra da rede, Augusto Lima também adquiriu o CredCesta, que financiava a compra parcelada de servidores do estado nos supermercados.

Entre 2019 e 2024, Augusto Lima atuou como sócio e CEO do Banco Master, expandindo o CredCesta para além da compra de gêneros alimentícios. O cartão se tornou a porta de entrada do Banco Master para operar na modalidade de crédito consignado. Segundo um requerimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a ampliação do CredCesta permitiu que o cartão integrasse carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras. De acordo com as investigações, parte relevante desses créditos não foi informada às autoridades ou não possuía estrutura para operar dentro das regras. Em meados de 2025, durante uma crise do Banco Master, Augusto Lima e Jaques Wagner romperam sociedade; Augusto Lima ficou com o Banco Pleno.

A investigação da PF foca na relação de proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima, apurando se o senador atuou em favor de projetos do grupo financeiro do banqueiro. Medidas citadas incluem a "Emenda Master" e uma proposta para ampliar o limite do crédito consignado. Em contrapartida, os investigadores suspeitam que Wagner tenha recebido propina de R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada ao enteado, um imóvel de luxo avaliado em mais de R$ 2,4 milhões em Salvador, além de mordomias como uso de aeronaves particulares e ingressos para shows, como um pago pela Reag Investimentos no valor de mais de R$ 63 mil.

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