JUSTIÇA SEM REFUGOS

PF mira desembargador e bloqueia R$ 52 bilhões em megaoperação

Desembargador Guaraci de Campos Vianna, alvo da Operação Sem Refino, em foto de destaque.
Desembargador Guaraci de Campos Vianna

Magistrado do TJRJ já estava afastado pelo CNJ por decisões suspeitas em favor do Grupo Refit, investigado por dívidas de R$ 26 bilhões.

A Justiça brasileira agiu com firmeza nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, revelando um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. A operação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos e teve como um dos alvos o desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), já afastado cautelarmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sob a grave suspeita de conceder decisões "teratológicas" em favor do Grupo Refit. Esta contundente ação busca proteger o erário público e restaurar a confiança no sistema de justiça, impactando diretamente a capacidade do Estado de investir em serviços essenciais.

A investigação da PF aprofunda-se em um complexo esquema de ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior, fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. O centro das apurações é o conglomerado do setor de combustíveis controlado pelo empresário Ricardo Magro, líder do Grupo Refit, que nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, medida que visa sua localização e prisão internacional.

Além do ex-governador Cláudio Castro (PL), a Operação Sem Refino também mirou o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador-geral do Estado Renan Saad, indicando a amplitude da suposta rede criminosa.

No caso específico do desembargador Guaraci de Campos Vianna, as averiguações concentram-se em decisões tomadas no processo de recuperação judicial da Refinaria de Manguinhos. A atuação do magistrado já havia levantado alertas, resultando em seu afastamento.

Em março de 2026, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou o afastamento imediato de Vianna após identificar indícios de uma atuação irregular em um agravo ligado ao grupo investigado. Este afastamento, de caráter cautelar, visou preservar a integridade do processo judicial e a imagem da instituição.

Segundo o CNJ, o desembargador teria praticado atos em "flagrante descumprimento" de uma decisão expressa do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O STJ já havia suspendido o processo, alertando para o risco de "grave lesão à ordem pública" e apontando aparentes ilegalidades nas decisões anteriores.

Mesmo após a suspensão imposta pela corte superior, Guaraci de Campos Vianna teria autorizado o avanço de medidas consideradas extremamente sensíveis dentro do processo de recuperação. Entre elas, determinou a realização de uma perícia técnica milionária, fixada em R$ 3,9 milhões, e permitiu o pagamento imediato de metade do valor, cerca de R$ 1,95 milhão, sem ouvir previamente todas as partes envolvidas. Tal conduta levanta sérias questões sobre a imparcialidade e a obediência às instâncias superiores.

A situação tornou-se ainda mais delicada porque a empresa escolhida para realizar a perícia já havia sido questionada pela União por suposta parcialidade e vínculos anteriores com a própria Refinaria de Manguinhos. Apesar das objeções, o magistrado manteve a nomeação e expediu ofícios à Receita Federal para viabilizar o início imediato dos trabalhos periciais, atitudes que, para o CNJ, acabaram por esvaziar os efeitos da decisão do STJ.

A decisão do corregedor nacional Mauro Campbell Marques classificou os indícios como graves o suficiente para justificar o afastamento cautelar do desembargador de todas as suas funções no TJRJ. Além disso, foi proibida sua entrada nas dependências do tribunal e dos fóruns, garantindo que o processo investigativo pudesse prosseguir sem interferências. O CNJ também abriu diligências para aprofundar as investigações e determinou uma correição extraordinária presencial no tribunal, sinalizando a seriedade com que o caso é tratado.

O contexto maior desta ação policial e judicial envolve uma das maiores ofensivas já realizadas no país contra fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. É um cenário onde a dignidade social é diretamente atingida pelos desvios de recursos públicos.

Segundo as apurações, o Grupo Refit é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do Brasil, acumulando mais de R$ 26 bilhões em dívidas fiscais. Esses valores, que deveriam ser revertidos em serviços essenciais para a população, foram supostamente sonegados.

A Refinaria de Manguinhos também figura em outras investigações de grande porte, como a Operação Carbono Oculto, que apura esquemas de adulteração de combustíveis, fraudes fiscais bilionárias e suspeitas de infiltração da facção criminosa PCC no setor, revelando a complexidade e periculosidade das atividades ilícitas.

Na Operação Sem Refino deflagrada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, a Justiça determinou não apenas o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados aos investigados, mas também a suspensão das atividades econômicas das empresas alvo da ação. Tais medidas são cruciais para desmantelar o esquema e evitar novos prejuízos ao país, reafirmando o compromisso com a integridade e a lei.

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