GUERRA POLÍTICA

PF mira Banco Master e base governista acirra confronto com bolsonarismo

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Foto: Divulgação/Banco Master

Investigação da Operação Compliance Zero sobre Banco Master, que teve Ciro Nogueira como alvo, gera intensa disputa política e pedidos de CPI.

A nova fase da Operação Compliance Zero e as investigações envolvendo o Banco Master intensificaram a disputa política em Brasília nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, incluindo ações relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), e em resposta, integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiram explorar politicamente o caso. O objetivo é aproximar o escândalo de figuras ligadas ao bolsonarismo, acirrando os ânimos no Congresso Nacional e projetando novos embates no cenário eleitoral de 2026, com potencial impacto na percepção pública sobre a integridade política.

Nos corredores de Brasília, aliados do governo intensificaram a narrativa de que a operação revelou conexões entre empresários sob investigação, membros do PL e líderes do Centrão ligados ao grupo político do ex-presidente. Em contrapartida, parlamentares da oposição reagiram veementemente, acusando o governo de instrumentalizar as investigações para fins de disputa eleitoral, desviando o foco da apuração técnica para a arena partidária.

A expressão “BolsoMaster” começou a circular entre parlamentares e membros do governo, visando associar o caso do Banco Master ao universo político bolsonarista. Essa estratégia se fortaleceu após a revelação de trechos das investigações que detalham conexões entre empresários vinculados ao banco e figuras influentes da política nacional.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou-se entre os integrantes do governo que publicamente abordaram o tema. Em suas redes sociais, Boulos divulgou trechos de entrevistas passadas e sugeriu que o caso expõe uma proximidade política entre membros do PL e empresários investigados.

Boulos relembrou uma declaração de Flávio Bolsonaro à Folha de S.Paulo, onde o senador apoiava Ciro Nogueira como potencial candidato a vice-presidente em uma chapa ligada ao bolsonarismo.

Na postagem, o ministro insinuou uma ligação política entre os envolvidos e ironizou o ocorrido: “Ciro Nogueira, da mesada de R$ 500 mil do Master. Precisa desenhar?”. Em outra declaração, Boulos enfatizou que o caso demanda uma resposta mais rigorosa das autoridades: “A nova fase da Operação Compliance Zero revela a intimidade do núcleo do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’: Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência parecem envolvidos por operadores da fraude. É imperativo instalar uma CPI no Congresso e uma CPI na Câmara”, afirmou ele.

Essa manifestação intensificou a reação da oposição. Membros do PL alegam que o governo tenta instrumentalizar o episódio para gerar desgaste político contra seus oponentes, em um contexto de antecipação do cenário eleitoral de 2026.

Inicialmente, Flávio Bolsonaro optou por não comentar diretamente as investigações do Banco Master e a Operação da Polícia Federal. Contudo, diante do avanço da repercussão política, o senador decidiu se manifestar publicamente nas redes sociais.

Em um vídeo divulgado após seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Flávio Bolsonaro declarou que as investigações devem aderir a critérios técnicos e ao devido processo legal: “Entende-se que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, pontuou.

Posteriormente, o senador expandiu sua argumentação política sobre o caso, passando a defender a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master. “O Congresso Nacional tem a obrigação de cumprir seu papel. Por essa razão, a CPI do Banco Master precisa ser concretizada”, concluiu.

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