CORRUPÇÃO & PODER

PF expõe braço do Banco Master com bicheiros e policiais no Rio

Fachada do Banco Master em 2025, na r. Elvira Ferraz, 440, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo; logotipo da instituição já foi coberto depois da liquidação decretada pelo Banco Central
Fachada do Banco Master em 2025, na r. Elvira Ferraz, 440, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo; logotipo da instituição já foi coberto depois da liquidação decretada pelo Banco Central | Mariana Sato/Poder360

Decisão do Supremo Tribunal Federal autoriza 6ª fase de investigação contra esquema que monitorava e intimidava alvos.

O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero, conforme revela a Polícia Federal nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. A decisão expõe a existência de um braço da organização criminosa ligada ao caso Banco Master no Rio de Janeiro, uma rede que impacta diretamente a segurança e dignidade de cidadãos ao mobilizar operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais para intimidação e atividades ilícitas. Esta fase da investigação é fundamental para desmantelar um esquema complexo de ameaças e corrupção que corrói a confiança nas instituições. A Polícia Federal aponta que um braço da organização sob investigação no caso Banco Master seria formado por "operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais". Esta avaliação detalhada consta da decisão do Ministro André Mendonça, que deu luz verde à 6ª fase da operação Compliance Zero, visando aprofundar as apurações sobre a complexa rede criminosa. Segundo a investigação, esse núcleo integra o grupo conhecido como “A Turma”, que a Polícia Federal descreve como responsável por ameaças presenciais, monitoramento de alvos, levantamentos clandestinos e a obtenção ilegal de informações sigilosas. A atuação desses grupos levanta sérias preocupações sobre a privacidade e a segurança dos indivíduos envolvidos ou visados pela organização.

Braço carioca sob investigação

Para a Polícia Federal, o braço carioca do esquema seria liderado por Manoel Mendes Rodrigues, descrito como um influente operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro e o principal articulador local da estrutura criminosa investigada. A sua atuação demonstra a capilaridade e a ousadia da organização em diferentes esferas. A decisão destaca que o grupo agiria para intimidar e pressionar desafetos ligados ao caso Banco Master. Relatórios da investigação indicam que integrantes do núcleo executavam ações presenciais e eram mobilizados para monitorar e ameaçar alvos de interesse da organização, criando um ambiente de medo e insegurança. Um episódio em Angra dos Reis (RJ), ocorrido em junho de 2024, exemplifica essa tática. A Polícia Federal relata que membros de “A Turma” foram acionados para intimidar pessoas ligadas ao círculo profissional de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A ordem era realizar um “levantamento de tudo” sobre os alvos, incluindo o monitoramento de seus familiares, o que expõe a brutalidade da tática de pressão. Testemunhas ouvidas pela investigação afirmaram que um dos homens envolvidos nas ameaças se apresentou como “Manoel”, que se dizia amigo de Daniel Vorcaro e com fortes ligações com o jogo do bicho, reforçando a conexão entre as atividades.

As células de atuação: "A Turma" e "Os Meninos"

“A Turma” é descrita pela Polícia Federal como o braço presencial e policial-informacional da estrutura criminosa. Ela estaria diretamente associada a ações de ameaça, intimidação, monitoramento clandestino, obtenção de dados sigilosos e, preocupantemente, a acessos indevidos a sistemas governamentais, o que denota um risco à segurança pública e à integridade de informações. As investigações revelam que esse núcleo contaria com a participação de policiais federais, tanto da ativa quanto aposentados, além de operadores do jogo do bicho e outros colaboradores. A Polícia Federal ressalta que essa estrutura era utilizada para pressionar adversários e críticos relacionados ao caso Banco Master, revelando um esquema de grande alcance e influência. Além de “A Turma”, a investigação também identificou a existência de outro grupo, denominado “Os Meninos”. Este é descrito como um núcleo especializado em ataques cibernéticos, invasões digitais e derrubada de perfis em redes sociais, evidenciando a dualidade das táticas empregadas pela organização para atingir seus objetivos. Os investigadores continuam a apurar crimes graves como organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A amplitude dos crimes demonstra a complexidade da rede e a importância de sua completa desarticulação para restaurar a ordem e a justiça.

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