CORRUPÇÃO & PODER
PF expõe braço do Banco Master com bicheiros e policiais no Rio
Decisão do Supremo Tribunal Federal autoriza 6ª fase de investigação contra esquema que monitorava e intimidava alvos.
O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero, conforme revela a Polícia Federal nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. A decisão expõe a existência de um braço da organização criminosa ligada ao caso Banco Master no Rio de Janeiro, uma rede que impacta diretamente a segurança e dignidade de cidadãos ao mobilizar operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais para intimidação e atividades ilícitas. Esta fase da investigação é fundamental para desmantelar um esquema complexo de ameaças e corrupção que corrói a confiança nas instituições.
A Polícia Federal aponta que um braço da organização sob investigação no caso Banco Master seria formado por "operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais". Esta avaliação detalhada consta da decisão do Ministro André Mendonça, que deu luz verde à 6ª fase da operação Compliance Zero, visando aprofundar as apurações sobre a complexa rede criminosa.
Segundo a investigação, esse núcleo integra o grupo conhecido como “A Turma”, que a Polícia Federal descreve como responsável por ameaças presenciais, monitoramento de alvos, levantamentos clandestinos e a obtenção ilegal de informações sigilosas. A atuação desses grupos levanta sérias preocupações sobre a privacidade e a segurança dos indivíduos envolvidos ou visados pela organização.
Braço carioca sob investigação
Para a Polícia Federal, o braço carioca do esquema seria liderado por Manoel Mendes Rodrigues, descrito como um influente operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro e o principal articulador local da estrutura criminosa investigada. A sua atuação demonstra a capilaridade e a ousadia da organização em diferentes esferas. A decisão destaca que o grupo agiria para intimidar e pressionar desafetos ligados ao caso Banco Master. Relatórios da investigação indicam que integrantes do núcleo executavam ações presenciais e eram mobilizados para monitorar e ameaçar alvos de interesse da organização, criando um ambiente de medo e insegurança. Um episódio em Angra dos Reis (RJ), ocorrido em junho de 2024, exemplifica essa tática. A Polícia Federal relata que membros de “A Turma” foram acionados para intimidar pessoas ligadas ao círculo profissional de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A ordem era realizar um “levantamento de tudo” sobre os alvos, incluindo o monitoramento de seus familiares, o que expõe a brutalidade da tática de pressão. Testemunhas ouvidas pela investigação afirmaram que um dos homens envolvidos nas ameaças se apresentou como “Manoel”, que se dizia amigo de Daniel Vorcaro e com fortes ligações com o jogo do bicho, reforçando a conexão entre as atividades.As células de atuação: "A Turma" e "Os Meninos"
“A Turma” é descrita pela Polícia Federal como o braço presencial e policial-informacional da estrutura criminosa. Ela estaria diretamente associada a ações de ameaça, intimidação, monitoramento clandestino, obtenção de dados sigilosos e, preocupantemente, a acessos indevidos a sistemas governamentais, o que denota um risco à segurança pública e à integridade de informações. As investigações revelam que esse núcleo contaria com a participação de policiais federais, tanto da ativa quanto aposentados, além de operadores do jogo do bicho e outros colaboradores. A Polícia Federal ressalta que essa estrutura era utilizada para pressionar adversários e críticos relacionados ao caso Banco Master, revelando um esquema de grande alcance e influência. Além de “A Turma”, a investigação também identificou a existência de outro grupo, denominado “Os Meninos”. Este é descrito como um núcleo especializado em ataques cibernéticos, invasões digitais e derrubada de perfis em redes sociais, evidenciando a dualidade das táticas empregadas pela organização para atingir seus objetivos. Os investigadores continuam a apurar crimes graves como organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A amplitude dos crimes demonstra a complexidade da rede e a importância de sua completa desarticulação para restaurar a ordem e a justiça.Gostou desta notícia?
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