DINHEIRO EM ESPÉCIE APREENDIDO
PF desconfia que R$ 470 mil em espécie com Sóstenes vieram de saques de irmãos advogados
Investigação aponta que R$ 15 milhões foram movimentados em saques. Ação mira advogados suspeitos de desviar verba parlamentar.
A Polícia Federal (PF) suspeita que os R$ 468,7 mil em dinheiro vivo apreendidos com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tenham origem em saques realizados por dois irmãos advogados. A investigação aponta que esses irmãos teriam movimentado mais de R$ 15 milhões em saques em espécie, através de empresas de um mesmo grupo, em uma manobra para dificultar a rastreabilidade dos recursos.
A descoberta ocorreu após a apreensão do montante com o parlamentar. A PF, em representação encaminhada ao ministro Flávio Dino, detalhou que parte do dinheiro estava em pacotes bancários com etiquetas de identificação. Essas etiquetas, usadas pelos bancos para rastrear a origem dos valores, permitiram vincular os pacotes a operações de saque. Uma instituição financeira identificou as contas de duas empresas de onde o dinheiro teria sido retirado.
As investigações levaram aos irmãos Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino. Eles foram alvos da Operação Rent a Car, deflagrada na manhã desta quarta-feira, 01/07/2026, que apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar. O advogado Thiago Ferreira de Paula, apontado como comprador de um imóvel que Sóstenes alega ter vendido para justificar os R$ 468,7 mil apreendidos, também foi investigado. A PF notou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de Thiago e a ausência de registro do saque de R$ 500 mil que teria sido usado para pagar o imóvel em espécie. A transferência do imóvel só foi registrada após a apreensão do dinheiro.
Sóstenes Cavalcante não foi alvo desta fase da operação. A Operação Rent a Car, em suas fases anteriores, já havia identificado supostas irregularidades na contratação de uma empresa de locação de veículos utilizando recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). A verba Ceap é destinada ao custeio de despesas relacionadas ao mandato parlamentar. Nesta terceira etapa, a PF aprofunda as investigações sobre a participação de agentes públicos, particulares e empresas que teriam sido usadas para dar aparência de legalidade à movimentação ilícita de recursos públicos. Há suspeitas de ocultação ou destruição de provas, o que pode configurar fraude processual.
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