INVESTIGAÇÃO FEDERAL

PF deflagra operações Holding II e Conflictus II no Piauí para investigar fraudes em Fundeb e SUS

Logotipo da Polícia Federal.
Foto ilustrativa da Polícia Federal.

Ações visam desarticular grupos empresariais suspeitos de desviar recursos públicos em ao menos 16 municípios piauienses. Decisões judiciais incluem busca e apreensão e afastamento de servidora.

Grupos empresariais suspeitos de fraudar licitações e desviar recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS) foram alvo das operações Holding II e Conflictus II. As ações foram deflagradas na manhã desta terça-feira, 7 de julho de 2026, pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF), no Piauí.

Segundo o MPF, os investigados atuavam na administração pública de municípios piauienses para obter contratos e desviar verbas federais. As apurações indicam que os grupos utilizavam empresas de fachada, fraudavam licitações e pagavam propina para assegurar contratos públicos. O esquema, que teria envolvido pelo menos 16 municípios do estado, impacta diretamente a oferta de serviços essenciais à população.

A pedido do MPF, a Justiça Federal em Floriano autorizou mandados de busca e apreensão contra os principais envolvidos. Entre os alvos da operação estão engenheiros, advogados, operadores financeiros e agentes políticos. Embora os nomes não tenham sido divulgados, a transparência na divulgação das identidades é crucial para a confiança pública no processo investigativo.

Ilustração de arquivo da Polícia Federal
Agora no g1

Em uma decisão que visa garantir a integridade das investigações, a Justiça também determinou o afastamento de uma servidora da Secretaria Municipal de Administração e Obras de Francinópolis. A medida se baseia na possibilidade de a servidora, caso permanecesse no cargo, favorecer a continuidade das irregularidades apuradas, afetando a dignidade dos serviços públicos prestados à comunidade. O portal g1 busca contato com o município para obter pronunciamento.

Os investigados poderão responder por crimes como peculato, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, associação criminosa e tráfico de influência. Essas acusações sublinham a gravidade das ações e o potencial dano ao erário público e à confiança dos cidadãos.

Como funcionavam os esquemas

A segunda fase da Operação Holding foca na identificação de gestores, técnicos e operadores ainda não alcançados pelas investigações, além de mapear a rede de servidores públicos supostamente envolvida no esquema. O objetivo é interromper contratos irregulares e superfaturados, desarticular o núcleo jurídico do grupo e coibir práticas que comprometem a educação e a saúde públicas.

As apurações sugerem que o grupo, ligado à Operação Holding, utilizava empresas de fachada, conhecidas como "laranjas", para fraudar licitações. A apresentação de "propostas coelho", em nome de empresas fictícias, visava desclassificar concorrentes e beneficiar empresas vinculadas ao grupo. Esse modus operandi mina a lisura dos processos licitatórios, impactando a qualidade e o custo dos serviços públicos.

Ainda segundo o MPF, o esquema contava com a intermediação de um engenheiro civil e um advogado para o pagamento de propina a servidores do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), em troca de influência no andamento de processos e recursos. O portal g1 tenta contato com o órgão para esclarecimentos.

Na Operação Conflictus, a empresa investigada simulava processos licitatórios e, após vencer as disputas, repassava integralmente a execução das obras para outras construtoras. Um operador financeiro do grupo seria o responsável pelo pagamento de propina a agentes públicos, evidenciando uma teia de corrupção que prejudica o desenvolvimento regional e a aplicação correta dos recursos públicos.

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