MERCADO DESAFIA GUERRA
Petróleo cai apesar das ameaças de Trump ao Irã
WTI recua 3,09% a US$ 103,13; Brent cede 2,11% a US$ 112,02 nesta terça-feira, 05/05/2026.
Em meio a uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, os preços internacionais do Petróleo registraram uma queda acentuada nesta terça-feira, 05/05/2026, oferecendo um respiro inesperado aos mercados globais. O alívio ocorre apesar das ameaças do presidente Donald Trump de "varrer do mapa" o regime iraniano, indicando uma complexa dinâmica de oferta e demanda que desafia a expectativa de alta em tempos de conflito e pode impactar diretamente o bolso dos consumidores.
Cenário de alívio nos contratos futuros
Por volta das 9h25 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de Petróleo do tipo WTI, referência para o mercado norte-americano, recuava 3,09%, sendo negociado a US$ 103,13. No mesmo horário, o contrato futuro para julho do Petróleo do tipo brent, referência para o mercado internacional, cedia 2,11%, alcançando US$ 112,02. A máxima do dia para o brent havia encostado nos US$ 114 o barril (US$ 113,94).
Essa baixa contrasta com a sessão de segunda-feira, 04/05/2026, quando o Petróleo fechou em alta. O barril do tipo WTI para junho avançou 4,39%, atingindo US$ 106,42, enquanto o brent para julho subiu 5,08%, a US$ 114,44. Na semana passada, os preços do Petróleo haviam atingido a maior cotação em quatro anos, ultrapassando os US$ 126 o barril, gerando preocupações sobre inflação e estabilidade econômica.
Trump endurece o tom e ameaça o Irã
No front internacional, a guerra no Oriente Médio continua ditando o rumo dos mercados de câmbio e de ações, com influência direta sobre os preços do Petróleo. Nas últimas horas, uma nova escalada nas tensões entre Trump e o regime iraniano vem preocupando os investidores e a comunidade global.
Nessa segunda-feira, 04/05/2026, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã “será varrido da face da Terra” caso ataque navios norte-americanos envolvidos no chamado “Projeto Liberdade”. A operação está em curso no Estreito de Ormuz e tem como objetivo escoltar e conduzir embarcações retidas na região, uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de Petróleo.
A declaração foi dada durante entrevista à Fox News. Na ocasião, Trump também disse acreditar que o Irã tem demonstrado uma postura “mais maleável” nas negociações de paz em andamento. Apesar disso, o presidente reforçou que os EUA mantêm presença militar fortalecida na região, com “mais armas e munições de qualidade muito superior àquela que tínhamos antes”, garantindo que usarão esses recursos “se precisarem”.
Anunciado no domingo, 03/05/2026, o “Projeto Liberdade” teve início após pedidos de países que não participam diretamente do conflito na região, mas tiveram embarcações retidas no local, segundo Trump. O republicano afirmou que a missão tem caráter humanitário e visa garantir a saída segura dos navios e de suas tripulações, acrescentando que qualquer tentativa de interferência poderá ser respondida de forma firme pelos EUA.
Irã responde com advertência e ameaças assimétricas
A escalada de tensões no Estreito de Ormuz ganhou um novo capítulo também na segunda-feira, 04/05/2026, após declarações duras do almirante Ali Akbar Ahmadian, representante do líder da Revolução no Conselho de Defesa da República Islâmica do Irã (IRGC). Em mensagem divulgada pela agência estatal iraniana IRNA, Ahmadian afirmou que os EUA seriam responsáveis por “tomar como refém a segurança da navegação e da energia mundial”.
O almirante alertou para possíveis respostas militares assimétricas na região, afirmando que “Os piratas marítimos americanos devem saber que operações complexas, combinadas e assimétricas em profundidade no campo de batalha irão alterar as equações de tal forma que o custo de suas decisões ultrapassará o limite de tolerância”. Ele complementou que as ações iranianas não devem ser interpretadas como simples advertência, mas como “parte de uma realidade que, com a permissão de Deus, se concretizará”.
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