POLÍTICA COMERCIAL EXTERNA

Pacote de R$ 18,5 bilhões é visto como alívio temporário para exportadores

Contêineres em porto simbolizando exportações brasileiras.
Anúncio do governo busca sustentar setores exportadores diante da instabilidade nas relações comerciais com os Estados Unidos.

O governo anunciou recursos para setores atingidos por tarifas dos EUA, mas especialistas alertam que a medida não resolve a instabilidade estrutural.

O governo federal anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões voltado a socorrer setores da economia impactados pelo recente aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos. A decisão busca mitigar danos imediatos em um cenário de crescentes pressões diplomáticas e políticas que afetam o fluxo comercial entre as duas nações.

Para Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, o montante anunciado, embora expressivo, funciona como um paliativo. Em entrevista ao programa Hora H, o especialista ressaltou que a falta de clareza sobre os critérios de distribuição dos recursos e a perenidade do programa gera insegurança para o setor produtivo.

Desde 2 de abril de 2025, o ambiente de negócios tem sido marcado por uma volatilidade sem precedentes, com alterações tarifárias frequentes que dificultam o planejamento das empresas. Esse clima de incerteza reflete diretamente em cadeias de valor integradas entre multinacionais brasileiras e americanas, resultando em uma queda de 12% nas transações comerciais bilaterais.

O diagnóstico aponta que o Brasil enfrenta as consequências de um atraso histórico em sua política comercial. Com tarifas de importação elevadas e um índice de restritividade elevado, segundo dados do Banco Mundial, o país exporta com preferência tarifária para apenas 15% de seus mercados. Mesmo com a implementação de acordos com Singapura, EFTA e União Europeia, o alcance brasileiro permanece abaixo da média global.

Diante da crescente concentração das exportações brasileiras na China, que já absorve 30% do volume total, o debate sobre a modernização do Mercosul ganha urgência. A proposta defendida é por uma tarifa externa comum mais flexível, permitindo que Brasil, Uruguai e Argentina adotem estratégias de abertura compatíveis com a necessidade de dinamizar a inserção do país no comércio internacional.

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