GIRO DO COMBUSTÍVEL
Petrobras retoma importação de diesel no fim de junho, mas busca autossuficiência
Estatal havia suspendido compras externas em abril e maio para atender demanda interna com produção própria, visando evitar repasse de preços internacionais. Plano prevê 80% de autossuficiência até 2030.
A Petrobras voltará a importar diesel no fim de junho. A decisão de suspender compras externas em abril e maio foi tomada pela companhia para atender à demanda interna utilizando apenas sua produção própria. A iniciativa visou evitar o repasse de oscilações de preços internacionais aos consumidores brasileiros, alinhando-se à política de preços atual da estatal. Em nota ao Poder360, a Petrobras esclareceu: “A Petrobras não realizou importações de diesel em maio de 2026. Para junho, está prevista apenas uma carga de importação, com chegada no fim do mês”. O mercado de diesel no Brasil tem uma dependência de importação que varia entre 25% e 30% da demanda doméstica. A Petrobras, responsável por cerca de 70% desse suprimento, combina sua produção nacional com compras externas. A pressão sobre as cotações do combustível aumentou desde 28 de fevereiro, com o início do conflito no Oriente Médio. A suspensão temporária das importações pela estatal buscou mitigar o impacto dessa volatilidade. Atualmente, os preços do diesel praticados pela Petrobras estão defasados em relação ao mercado externo. Segundo a consultoria StoneX, o diesel da estatal está R$ 1,64 mais barato que o produto importado, uma diferença de 50,3%. No caso da gasolina, a defasagem é de R$ 0,82, 32,1% inferior. Um novo subsídio anunciado em 31 de maio reduziu em R$ 0,3515 o preço do diesel. Essa medida, em vigor desde 1º de junho, substitui a isenção de impostos federais (PIS e Cofins), que voltaram a ser cobrados na mesma data. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reafirmou o objetivo da empresa de alcançar a autossuficiência na produção de diesel no Brasil. Para isso, a petroleira planeja expandir a capacidade de refinarias como a Rnest (Refinaria Abreu e Lima), em Pernambuco, e a Reduc (Refinaria Duque de Caxias), no Rio de Janeiro. O plano de negócios 2026-2030 da Petrobras prevê investimentos de US$ 20 bilhões em refino, transporte e comercialização. A projeção oficial é atender 80% da demanda nacional de diesel com produção própria até 2030, mas Chambriard sinaliza a meta de atingir 100% nos próximos cinco anos.
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