ENERGIA SEGURA
Petrobras freia alta e protege o consumidor brasileiro
Estatal mantém preços de combustíveis e registra lucro de R$ 32,7 bilhões, com aumento de 16,1% na produção de óleo e gás no 1º tri de 2026.
A Petrobras decidiu manter a estabilidade nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante do encarecimento do petróleo no mercado internacional, conforme anunciado pela presidente Magda Chambriard na terça-feira, 12 de maio de 2026. A medida busca blindar o consumidor brasileiro dos impactos da guerra no Oriente Médio, focando no aumento da produção nacional para garantir a segurança energética do país e proteger a economia doméstica.
Durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, a presidente afirmou que "mudanças abruptas estão fora da nossa intenção de repasse" e destacou que a estatal "tem trabalhado para aumentar a produção dos derivados [de petróleo] no mercado brasileiro, o que se revelou ainda mais importante a partir de março, em condições de guerra do Irã". Essa postura visa atenuar a pressão sobre o bolso das famílias e sobre os custos de transporte e produção que impactam diretamente o dia a dia da sociedade.
Os conflitos no Oriente Médio, envolvendo ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã, intensificaram-se a partir de 28 de fevereiro. A região é estratégica por concentrar grandes produtores de petróleo e gás natural, além do Estreito de Ormuz – uma passagem marítima vital no sul do Irã – que sofreu bloqueios. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural passava por ali.
A instabilidade na cadeia logística global reduziu a oferta de óleo cru e seus derivados, elevando os preços internacionais. O barril do Brent, referência mundial, disparou de US$ 70 para mais de US$ 100, alcançando picos de aproximadamente US$ 120. Como o petróleo é uma commodity negociada globalmente, seu encarecimento afeta o Brasil, mesmo sendo um país produtor.
Para conter essa escalada no mercado interno, o governo federal implementou medidas como a isenção de tributos federais sobre combustíveis e subvenções econômicas para produtores e distribuidores.
Gasolina e Etanol: Estratégias de Monitoramento
Desde o início do conflito, a Petrobras reajustou os preços do óleo diesel, essencial para o transporte de cargas e passageiros, e do querosene de aviação (QAV). Contudo, a gasolina não sofreu reajuste até o momento. Questionada sobre um possível aumento para acompanhar o mercado internacional, a presidente Magda Chambriard explicou que a companhia monitora não apenas os preços, mas também sua participação de mercado (market share) e a forte concorrência com o etanol.
"Temos a competição com o etanol, que em quinze dias caiu de preço. O Brasil tem uma frota flex, e só no posto o motorista escolhe qual combustível usar", detalhou. Ela acrescentou que a produção interna de gasolina pela Petrobras atende à demanda brasileira, com o país tanto importando quanto exportando o combustível.
Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, reforçou que a decisão sobre reajuste da gasolina independe da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que tramita no Senado. Este projeto visa reduzir a zero as alíquotas de tributos como PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis para mitigar aumentos de preço.
"Se a empresa avaliar que está persistentemente com o preço que não atende às nossas expectativas, a gente vai aumentar; e o PLP, talvez, venha para nos ajudar a não repassar isso ao mercado", afirmou a diretora, garantindo que, por enquanto, o preço "está equilibrado".
Recordes de Produção e Desempenho Financeiro
A Petrobras demonstrou um desempenho operacional notável, registrando um recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre de 2026, a produção superou em 16,1% a do mesmo período do ano anterior. O Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias alcançou patamares acima de 100%, o maior desde dezembro de 2014, conforme destacou Magda Chambriard.
O FUT é um indicador crucial da capacidade de produção das refinarias, podendo operar acima de sua capacidade máxima de projeto com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A empresa também enfatizou investimentos na confiabilidade de suas estruturas e um cronograma de baixa manutenção programada para 2026.
No aspecto financeiro, a Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, valor que representa mais que o dobro (110%) do lucro obtido no trimestre anterior (R$ 15,6 bilhões). Na comparação com o mesmo período de 2025 (R$ 35,2 bilhões), houve um recuo de 7,2%, atribuído principalmente ao efeito cambial. Em cálculo feito em dólar, o lucro da companhia apresentaria uma leve alta, segundo a presidente.
Os investimentos totalizaram R$ 26,8 bilhões no trimestre, uma expansão de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A dívida da companhia somou US$ 71,2 bilhões (equivalente a R$ 350 bilhões), um aumento de 10,8% na comparação anual, mas que se mantém dentro do limite previsto no plano de negócios 2026-2030 (abaixo de US$ 75 bilhões).
O custo médio do barril de petróleo tipo Brent foi de US$ 80,61 no primeiro trimestre de 2026, 26,6% superior ao trimestre anterior. A companhia esclareceu que o aumento recente nos preços do petróleo e o recorde de produção ainda não se refletiram nas receitas do primeiro trimestre. "No mercado asiático, destino da maior parte das nossas exportações, a precificação costuma ocorrer com base nas cotações do mês anterior àquele da chegada da carga", detalhou a empresa. A expectativa é que a elevação nos preços do petróleo após o início do conflito no Oriente Médio seja refletida nas exportações do segundo trimestre.
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