NOVOS MECANISMOS BIOLÓGICOS
Pesquisa revela que ovários mantêm função imunológica após menopausa
Estudo publicado na Molecular Human Reproduction indica que os ovários, mesmo após o fim da fase reprodutiva, continuam ativos e podem atuar no sistema imunológico, alterando a compreensão sobre o envelhecimento feminino.
Uma nova pesquisa, publicada na segunda-feira, 06/07/2026, na revista científica Molecular Human Reproduction, desafia décadas de entendimento científico ao revelar que os ovários, após a menopausa, mantêm atividades biológicas relevantes, especialmente no que tange ao sistema imunológico. A descoberta, liderada pela pesquisadora Francesca Duncan, pode redefinir a compreensão sobre o envelhecimento feminino e o papel desses órgãos.
Tradicionalmente, acreditava-se que, após o encerramento da fase reprodutiva e a interrupção da liberação de óvulos, os ovários deixavam de ter funções significativas. No entanto, o estudo, fruto de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, aponta para uma contínua modificação celular e produtiva desses órgãos.

A investigação se aprofundou no estudo de células senescentes, aquelas que param de se dividir, mas permanecem vivas. Ao analisar tecidos ovarianos de mulheres na pós-menopausa, com idades entre 50 e 75 anos, a equipe da Universidade de Oxford, no Reino Unido, observou uma produção contínua de proteínas que se alteravam com o avanço da idade. Isso sugere que os ovários não estão inativos, como se pensava.
Francesca Duncan descreveu a descoberta como "realmente reveladora", destacando à revista Science que a persistência de mudanças com a idade indicava "algo mais acontecendo com esse órgão". Para validar as observações, a pesquisa utilizou ovários de camundongos, observando que os animais mais velhos apresentavam maior concentração de células do sistema imunológico e maior atividade de genes ligados à produção de moléculas imunológicas.
Esses achados reforçam a hipótese de uma função contínua dos ovários no sistema imunológico pós-menopausa. Embora a função exata ainda precise ser detalhada, as hipóteses incluem o papel como centro de sinalização imunológica, reservatório de células imunes ou contribuição para as alterações inflamatórias comuns no envelhecimento feminino.
A compreensão aprofundada desse mecanismo promete avançar o conhecimento sobre os processos biológicos após a menopausa, abrindo novas frentes de pesquisa em saúde feminina e longevidade, e possivelmente investigando a ligação com a inflamação crônica e doenças associadas ao envelhecimento.
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