AVANÇOS NA MEDICINA

Estudo propõe novo critério para identificar casos graves de Mieloma múltiplo

Ilustração médica sobre o combate ao câncer de Mieloma múltiplo.
Novos esquemas terapêuticos exigem atualização nos critérios de risco para pacientes com Mieloma múltiplo (Foto: Adobe Stock).

Pesquisadores sugerem ampliar para 36 meses o prazo de avaliação de risco, visando oferecer tratamentos mais agressivos a pacientes em estágios críticos.

Os avanços no tratamento do Mieloma múltiplo — um câncer que afeta os plasmócitos, células produzidas pela medula óssea — estão forçando uma revisão profunda sobre como médicos avaliam o prognóstico da doença. A necessidade de atualização, apresentada em estudo publicado na revista Cancer, da Sociedade Americana do Câncer, propõe ampliar de 18 para 36 meses o período de observação para definir pacientes com Mieloma múltiplo funcional de alto risco.

Por que o critério precisa mudar

A classificação de alto risco serve para identificar pacientes cuja doença retorna ou progride rapidamente. Até o momento, o padrão era focar em recaídas ocorridas nos primeiros 18 meses após o início do tratamento. Contudo, essa métrica foi estabelecida antes da popularização das terapias modernas, que combinam anticorpos monoclonais, inibidores de proteassoma, imunomoduladores e corticoides, muitas vezes seguidas de transplante autólogo de células-tronco.

Com maior eficácia terapêutica, a doença passou a ser controlada por mais tempo. O problema é que, quando ela eventualmente progride, a evolução pode ser tão agressiva quanto nos modelos antigos, mas o paciente acaba classificado erroneamente como de risco intermediário ou baixo devido ao tempo transcorrido.

O que a nova proposta traz

A pesquisa acompanhou 310 pacientes durante três anos e meio. Os dados demonstraram que o intervalo de 36 meses é muito mais preciso para identificar indivíduos cuja expectativa de sobrevida após a recaída é inferior a dois anos. Na amostra, 16,4% dos pacientes apresentaram progressão nesse período ampliado, embora muitos deles fossem considerados de baixo risco pelos sistemas de classificação tradicionais.

"A evolução clínica continua fornecendo informações cruciais que nem sempre são captadas apenas nos exames realizados no diagnóstico", apontam os autores. A proposta visa garantir que esses pacientes recebam intervenções mais assertivas, como terapias de redirecionamento de células T, que mostraram resultados superiores — mantendo 80% dos pacientes sem progressão após um ano, contra 23% de outras abordagens.

Embora promissora, a mudança ainda depende da validação por estudos independentes para ser oficializada em diretrizes clínicas internacionais.

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