TRAGÉDIA CLIMÁTICA MORTAL

Com mortos e desaparecidos, Pernambuco sofre com deslizamentos e inundações

Imagem de equipes de resgate trabalhando em área afetada por deslizamento de terra em Pernambuco, com casas destruídas e solo encharcado após chuvas intensas.
Cenário de devastação em Pernambuco após deslizamentos de terra causados por fortes chuvas em 1º de maio. Quatro vidas foram perdidas, e milhares de famílias estão desabrigadas.

Quatro pessoas, incluindo duas crianças, morrem em Recife e Olinda. Governo Federal envia ajuda emergencial.

Um cenário de devastação atingiu Pernambuco nesta sexta-feira, 1º de maio, com fortes chuvas que desencadearam deslizamentos de terra mortais e inundações, resultando na perda de quatro vidas, incluindo duas crianças. A tragédia, que assolou principalmente a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata, mobilizou o governo federal, que anunciou apoio emergencial no início da tarde para as áreas afetadas, buscando mitigar o sofrimento de milhares de desabrigados e desalojados.

O feriado do Dia do Trabalhador foi marcado por intensas precipitações em parte do Nordeste brasileiro. Em Pernambuco, a força da natureza causou quatro mortes em deslizamentos de terra, entre elas, a de duas crianças, expondo a vulnerabilidade das comunidades diante de eventos climáticos extremos. A comoção tomou conta das redes sociais com vídeos de moradores tentando socorrer as vítimas dos escombros antes mesmo da chegada das equipes de resgate, no bairro de Dois Unidos, no Recife.

No Recife, uma mulher de 24 anos e seu filho faleceram após a barreira destruir completamente a casa da família. O pai da criança e a filha do casal, de apenas um ano, foram resgatados em estado grave, lutando pela vida. Flávio Lima, técnico em controle de pragas e vizinho das vítimas, descreve o terror do momento: "Eu senti aquele aperto no coração, tipo 'olha, essa barreira vai cair'. Aí eu cheguei em casa e pedi para os meus filhos saírem do quarto e irem para sala. Quando eu falei isso, ouviu um estrondo. Pensei que era um raio e quando olhei, a barreira veio de vez."

Em Olinda, no bairro de Passarinho, o drama se repetiu. Cinco residências foram tragadas por um deslizamento, e uma jovem de 20 anos e seu bebê de seis meses foram encontrados soterrados, sem vida. As condições de resgate foram extremamente desafiadoras; a chuva incessante encharcou o solo, tornando-o pesado e instável. O secretário da Defesa Civil de Olinda, Coronel Carlos Albuquerque, relatou os riscos: "As condições são desfavoráveis. Com essas chuvas, houve dois deslizamentos em seguida. Há militares do Corpo de Bombeiros sempre atentos, porque qualquer nova incidência de deslizamentos ela apita para que a gente possa garantir não só a vida dessas pessoas que estão aí, mas também de quem está trabalhando."

Nas duas cidades, bombeiros realizaram resgates heroicos, salvando pelo menos 55 pessoas e quatro animais que estavam ilhados em comunidades ribeirinhas. A destruição material é imensurável, como testemunha Rafaela Costa, dona de casa: "Foi mais de um metro na minha casa, só consegui sair com um bombeiro, até medicação da minha filha, que está com bronquiolite, não consegui salvar. Documento, perdi tudo. Ela só está com a roupa do corpo porque não teve como salvar nada."

Em meio ao caos, a solidariedade se manifesta. Um abrigo na capital recebeu 80 famílias que perderam tudo. A Prefeitura do Recife ativou dez abrigos temporários na cidade para acolher os necessitados. A intensidade das chuvas na capital pernambucana atingiu 175 milímetros, forçando o desvio de 14 voos com destino ao aeroporto do Recife para outras localidades.

Goiana, na Mata Norte, registrou o maior volume pluviométrico, superando 200 milímetros em 24 horas, o que equivale ao esperado para 26 dias de maio. A força da água derrubou parte do muro de uma escola em construção e fez com que pelo menos 300 pessoas precisassem deixar suas casas e buscar refúgio em um abrigo municipal. Uma moradora, em meio à desolação, carregava o que pôde salvar, expressando um misto de tristeza e esperança: "Mais um dia difícil, mas fazer o que. Tem que agradecer a Deus que estamos com vida, e o resto depois a gente constrói."

Em Timbaúba, também na Zona da Mata, a prefeitura decretou situação de emergência devido às chuvas, que danificaram estradas e pontes. Onze famílias ficaram desabrigadas e outras 52, desalojadas. Os corpos da mãe e do filho de seis meses foram retirados pelo IML na noite desta sexta-feira, 1º de maio, reforçando a urgência da situação.

Reconhecendo a gravidade, o governo federal anunciou, no início da tarde desta sexta-feira, apoio emergencial às áreas atingidas em Pernambuco. Equipes da Defesa Civil nacional foram enviadas para reforçar o atendimento no estado e nos municípios, em um esforço conjunto para amenizar o sofrimento. A situação permanece crítica: mais de mil pessoas estão fora de casa e 900 em abrigos espalhados pelos municípios. Até o momento, quatro mortes foram confirmadas e cinco pessoas ficaram feridas.

As cidades mais atingidas concentram-se na Zona da Mata e na Região Metropolitana. Neste sábado, 02 de maio de 2026, 23 abrigos continuam em funcionamento no estado, enquanto a Defesa Civil permanece em alerta máximo diante da previsão de continuidade das chuvas, em uma corrida contra o tempo para proteger a vida e o bem-estar dos pernambucanos.

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