JUSTIÇA SEPARA VERDADE
Perito da defesa de Jairinho é condenado por falsa perícia no caso Henry Borel
Médico Jeferson Evangelista Correâ, assistente técnico da defesa do ex-vereador Dr. Jairinho, recebeu pena por apresentar teses que contestaram laudos oficiais sobre a morte do menino Henry Borel. A decisão, anunciada na madrugada de quinta-feira, 4 de junho de 2026, considera o crime de falsa perícia.
O médico Jeferson Evangelista Correâ, que atuou como assistente técnico da defesa do ex-vereador Dr. Jairinho, foi condenado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A condenação se deu pelo crime de falsa perícia no processo que apura a morte do menino Henry Borel. A decisão foi comunicada na madrugada desta quinta-feira, 4 de junho de 2026, após dez dias de julgamento.
A acusação sustentou que Jefferson apresentou laudos e depôs em plenário defendendo argumentos que contradiziam as conclusões dos peritos oficiais, responsáveis pela investigação da morte de Henry. A sentença foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro e concluída à 1h30.
No mesmo julgamento, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi sentenciado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Ele foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Além da pena de prisão, Jairinho deverá pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel. Contudo, foi absolvido de outras duas acusações de tortura.
Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, modalidade que não envolve a intenção de matar. Ela recebeu perdão judicial pela pena referente a este crime. Por outro lado, foi condenada por omissão diante das torturas sofridas pelo filho. A pena estabelecida foi de 1 ano e 4 meses de prisão, considerada cumprida em virtude do período em que permaneceu presa preventivamente.
As três partes condenadas possuem o direito de recorrer da decisão.
Relembre o caso
Henry Borel faleceu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade. Na ocasião, Dr. Jairinho e Monique Medeiros levaram a criança ao Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca (RJ), alegando que ele havia caído da cama e deixado de respirar. A versão apresentada foi contestada pelas investigações.
O laudo pericial indicou que a morte de Henry ocorreu em decorrência de hemorragia interna e laceração hepática, causadas por ação contundente. Uma reconstituição do caso identificou 23 lesões compatíveis com agressões, descartando a hipótese de acidente doméstico. Durante o julgamento, o perito Luiz Carlos Leal Prestes, responsável pelo exame cadavérico, declarou aos jurados que a criança foi vítima de espancamento, reafirmando o impacto devastador da violência sobre a dignidade da criança e a dor da família.
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