JUSTIÇA E SAÚDE

Dona de clínica de estética é presa após internações por complicações graves

Fachada de clínica de estética na Baixada Fluminense interditada após denúncias.
Dona de clínica de estética investigada por sequelas em pacientes é presa no RJ. Foto: Reprodução

Ana Paula Lima de Souza Mariano se entregou à polícia na quarta-feira (13); 20 inquéritos investigam lesões e uso de PMMA em pacientes na Baixada Fluminense.

Duas pacientes que realizaram procedimentos de harmonização glútea em uma clínica de estética de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, permanecem internadas devido a complicações graves e sequelas persistentes. A unidade de saúde foi interditada em julho, em meio a uma investigação que apura danos severos à integridade física de diversas clientes.

A dona do estabelecimento, Ana Paula Lima de Souza Mariano, foi presa na quarta-feira (13) após se apresentar voluntariamente às autoridades. A decisão de prisão busca assegurar o andamento das investigações, que somam 20 inquéritos instaurados pela Delegacia do Consumidor (Decon) sobre as práticas realizadas na clínica e em uma unidade na Zona Norte do Rio.

Segundo o delegado Wellington Vieira, o drama das vítimas é recorrente: pacientes relatam dores intensas durante a aplicação de substâncias desconhecidas. "Algumas foram internadas, como uma que ficou 30 dias no Hospital Naval Marcílio Dias, com risco de vida. Atualmente temos duas dessas mulheres internadas ainda, lutando pela vida", afirmou o delegado.

Exames de biópsia confirmaram o uso de polimetilmetacrilato (PMMA) em ao menos uma das vítimas. A substância, cujo uso estético é condenado pelo Conselho Federal de Medicina, apresenta riscos graves, como a migração do material para outras partes do organismo, causando deformidades e processos inflamatórios. Laudos complementares da Polícia Civil, com previsão de entrega em 90 dias, determinarão a extensão das lesões e possíveis incapacidades permanentes das pacientes.

Em carta divulgada nas redes sociais, Ana Paula Lima de Souza Mariano defendeu-se das acusações. Ela afirmou ter sido alvo de ameaças e extorsões antes do caso ganhar repercussão e alegou que não teve o direito de ser ouvida anteriormente. A defesa da investigada não respondeu aos contatos da reportagem.

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