REVIRAVOLTA NO CASO

Perícia privada aponta assassinato de PC Siqueira e desafia laudo oficial

Foto do influenciador digital PC Siqueira. Perícia particular contesta laudo oficial de suicídio.
PC Siqueira

Família contrata análise que sugere estrangulamento. Ministério Público pede nova perícia de evidências nesta quinta-feira, 30/04/2026.

A perícia particular contratada pela família do influenciador digital PC Siqueira concluiu em março de 2026 que ele foi assassinado por estrangulamento, confrontando diretamente os laudos oficiais de 2025 que apontavam suicídio. Diante dessa divergência crucial, o Ministério Público determinou nesta quinta-feira, 30/04/2026, que um fio de fones de ouvido, apontado como possível arma do crime, seja encaminhado para uma nova avaliação. Esta decisão reacende a esperança da família por respostas definitivas e traz à tona a complexidade da busca por justiça em um caso que chocou o Brasil, reabrindo a discussão sobre a verdadeira causa da morte de uma figura pública.

Paulo Cezar Goulart Siqueira, um dos pioneiros da produção de conteúdo digital no Brasil, foi encontrado morto aos 37 anos em seu apartamento na Zona Sul da capital paulista em dezembro de 2023. No ano de 2025, exames do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística concluíram que ele tirou a própria vida por enforcamento, utilizando uma cinta de catraca laranja.

O novo parecer técnico, elaborado em março de 2026 pelo perito Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica, contesta frontalmente essa versão. Segundo o especialista, as marcas no pescoço do influenciador são compatíveis com um fio fino, como os fones de ouvido encontrados no imóvel, e são incompatíveis com a cinta citada nos laudos oficiais. A análise sugere que a morte resultou de asfixia por estrangulamento, embora o documento não aponte o suposto autor do crime.

A gravidade dessa divergência levou o Ministério Público a determinar, nesta quinta-feira, 30/04/2026, que o fio de fones de ouvido seja encaminhado aos órgãos periciais oficiais para uma nova e aprofundada avaliação. Dada a passagem de mais de dois anos desde o falecimento, a exumação do corpo não é mais possível. Assim, os exames complementares dependerão exclusivamente de fotografias e registros técnicos produzidos na época.

No fim de 2025, a Justiça já havia determinado a continuidade das investigações, atendendo a um pedido do Ministério Público. Inicialmente, o inquérito havia sido concluído como suicídio, mas promotores identificaram lacunas nos laudos e contradições em depoimentos. Essa decisão impulsionou a Polícia Civil a explorar outras possibilidades, incluindo homicídio com simulação de suicídio, instigação ao suicídio e omissão de socorro.

A ex-namorada de PC Siqueira, Maria Luiza Lopes Watanabe, prestou depoimento como testemunha, afirmando ter presenciado o momento em que ele supostamente se enforcou, mas sem conseguir intervir. Ela relatou ter saído do apartamento em busca de ajuda. Uma vizinha, por sua vez, declarou ter encontrado o influenciador pendurado pela cinta e a cortado na tentativa desesperada de socorrê-lo.

PC Siqueira alcançou projeção nacional no alvorecer da era dos influenciadores digitais, com seus vídeos no YouTube, notadamente no canal “Maspoxavida”. Ele também atuou como apresentador na MTV Brasil e colaborou em projetos para outras plataformas. Em seus últimos anos, sua vida pública foi permeada por polêmicas e investigações, das quais sempre se declarou inocente.

O caso permanece em aberto, e a sociedade aguarda ansiosamente os resultados das novas análises periciais, que prometem trazer mais clareza e, talvez, um desfecho para a complexa história de PC Siqueira.

A defesa de Maria Luiza Lopes Watanabe divulgou a seguinte nota na íntegra:

“A defesa acompanha a investigação com serenidade e confia plenamente no trabalho das autoridades encarregadas da apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito corre sob sigilo, exigindo cautela nas manifestações públicas.

A posição da defesa é inequívoca: não existem elementos técnicos ou probatórios que possam atribuir responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. É crucial salientar que, até o presente momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de uma investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais atestando morte por enforcamento.

É fundamental destacar que esses laudos oficiais são elaborados por órgãos do Estado, representando exames realizados com rigor técnico, imparcialidade e controle institucional.

Por outro lado, eventuais pareceres particulares, embora possam ser anexados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, não possuindo, portanto, o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.

Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências, sem o devido respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”

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