CONTAS DE LUZ MAIS ALTAS

Perdas técnicas e furtos na rede elétrica geram prejuízo de R$ 23,2 bilhões em 2025

Infraestrutura de postes de energia elétrica em área urbana, exibindo a sobreposição de cabos de TV e internet.
Postes de energia elétrica com cabos de internet e TV na Vila Planalto, em Brasília. (Foto: Sérgio Lima/Poder360 - 15.fev.2021)

Relatório da Aneel aponta que falhas e desvios corresponderam a 14,3% da energia injetada no sistema. Parte do custo é repassada aos consumidores.

A rede elétrica brasileira registrou perdas de R$ 23,2 bilhões em 2025, resultantes de falhas técnicas e furtos de energia, popularmente conhecidos como "gatos". A informação consta em relatório divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na sexta-feira, 02 de julho de 2026. Esse montante representa 14,3% de toda a energia injetada no sistema de distribuição no ano passado, e parte significativa desse custo é repassada aos consumidores por meio de reajustes nas tarifas de luz.

O levantamento da Aneel detalha que as perdas se dividem em duas categorias principais. As perdas técnicas, decorrentes de fenômenos físicos inerentes ao transporte e distribuição da energia, representaram 7,2% do total injetado, totalizando 45,2 TWh e um custo estimado de R$ 11,7 bilhões. A agência ressalta que este é um custo estrutural do sistema, considerado nas tarifas por ser consequência das leis da física no processo de transmissão e transformação de energia.

O segundo grupo abrange as perdas não técnicas, que totalizaram R$ 11,5 bilhões em 2025, correspondendo a 45 TWh ou 7,1% da energia injetada. Essas perdas são atribuídas a furtos de energia, adulterações de medidores, ligações clandestinas e erros de faturamento, impactando diretamente a eficiência do setor.

Para mitigar o impacto no bolso do consumidor, a Aneel implementa uma regulação que estabelece limites para o repasse dessas perdas. A agência autorizou o repasse de aproximadamente R$ 7,9 bilhões referentes aos R$ 11,5 bilhões de prejuízos com furtos e outros desvios. A parcela não reconhecida, denominada glosa, somou R$ 3,582 bilhões em 2025, cabendo às distribuidoras absorver esse valor.

O relatório também aponta uma concentração expressiva do problema: apenas 10 distribuidoras respondem por 76,2% das perdas não técnicas registradas no país. A situação é particularmente crítica nas áreas atendidas pela Light, no Rio de Janeiro, e pela Amazonas Energia. Juntas, essas duas concessionárias concentram 31,2% das fraudes e desvios, apesar de representarem apenas 5,8% do mercado nacional de baixa tensão. Em termos regionais, o Norte apresenta o maior índice de perdas totais, seguido pelo Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto a região Sul demonstra os menores percentuais.

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