ACORDO É ACORDO
PDT reforça dobradinha Rafael–Jean para o Senado e endurece discurso nos bastidores
Após homologação de Rafael Motta como pré-candidato ao Senado, o PDT demonstra insatisfação com a articulação das suplências, temendo esvaziamento de espaços previamente acordados para o grupo de Jean Paul Prates.
A homologação do nome de Rafael Motta (PDT) como pré-candidato ao Senado no campo governista, ocorrida na quarta-feira, 21 de maio de 2026, trouxe à tona intensas movimentações nos bastidores sobre a composição das suplências da chapa. Embora lideranças da base governista afirmem que o tema será debatido em momento oportuno, as discussões já se mostram avançadas internamente, evidenciando a importância estratégica da definição.
Segundo relatos de participantes do encontro entre partidos da esquerda potiguar, pelo menos sete nomes circulam nos bastidores para ocupar as quatro suplências disponíveis. Duas delas estão ligadas à chapa de Rafael Motta (PDT) e outras duas à composição encabeçada por Samanda Alves (PT). Essa disputa por posições sinaliza o peso político de cada aliança.
Um ponto de destaque foi o discurso da presidente estadual do PDT, Márcia Maia. Ela reafirmou a existência de um acordo político firmado desde a filiação de Rafael Motta ao partido, ressaltando o alinhamento do PDT ao projeto nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao plano estadual liderado por Cadu Xavier (PT). Essa postura demonstra a força dos compromissos estabelecidos.
Nos bastidores, contudo, o PDT expressa crescente preocupação com iniciativas de setores da federação PT/PV/PCdoB relativas às suplências. O temor no partido é de que ocorra uma tentativa de reduzir o espaço político previamente garantido ao grupo do ex-senador Jean Paul Prates, o que impactaria diretamente a representatividade e os objetivos políticos do PDT.
Interlocutores indicam que o ministro Carlos Lupi tratou pessoalmente do entendimento entre Rafael Motta e Jean Paul Prates com a governadora Fátima Bezerra. Ainda de acordo com fontes do PDT, Lupi voltou a abordar o assunto nesta quarta-feira com o presidente Lula, a pedido de Márcia Maia. Essa intervenção reforça a gravidade das preocupações do partido diante da movimentação de aliados da federação e da aparente inércia do PT estadual na condução da disputa.
A visão defendida pelo PDT é que Rafael Motta e Jean Paul Prates devem marchar juntos no projeto ao Senado. Essa união é vista como uma construção consolidada nacionalmente entre PDT e PT, um passo fundamental para a coesão da base governista.
A movimentação gerou imediata leitura política dentro da própria base governista. Nos corredores, questiona-se se o endurecimento do PDT é uma resposta à entrada mais forte de Rafael Motta no jogo eleitoral e ao seu melhor desempenho em análises internas, ou se há também um componente de disputa por protagonismo dentro do próprio grupo governista. A definição dessas suplências impacta diretamente a força e a representação de cada força política.
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