OBRIGATORIEDADE EM OBRAS

Paulinho sanciona lei que exige identificação de emendas em obras de Natal

Paulinho sanciona lei que exige identificação de emendas em obras de Natal
Paulinho sanciona lei que exige identificação de emendas em obras de Natal.

Nova lei publicada no Diário Oficial do Município de Natal determina que todas as obras financiadas com emendas parlamentares exibam placas informativas sobre a origem dos recursos e destinação. A norma entra em vigor imediatamente.

O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), sancionou a Lei nº 8.145/2026, que torna obrigatória a instalação de placas informativas em obras públicas executadas com recursos provenientes, total ou parcialmente, de emendas parlamentares impositivas. A norma foi publicada nesta quarta-feira, 24/06/2026, no Diário Oficial do Município (DOM) e passa a valer imediatamente, buscando ampliar a transparência na aplicação do dinheiro público.

A legislação determina que todas as obras financiadas com esse tipo de recurso exibam, em local visível ao público, informações detalhadas sobre a origem dos valores investidos e a destinação orçamentária. O objetivo é permitir que a população tenha acesso a dados concretos sobre os investimentos realizados, garantindo o direito à informação.

Paulinho sanciona lei que exige identificação de emendas em obras de Natal
Paulinho Freire, prefeito de Natal. (Foto: Divulgação/Prefeitura)

De acordo com a lei, as placas deverão permanecer instaladas durante todo o período de execução da obra, preferencialmente na entrada principal do empreendimento. Entre as informações obrigatórias estão o nome e a finalidade da obra, o valor total do investimento, o número e o valor da emenda parlamentar utilizada, o nome completo e o cargo do autor da emenda, o órgão responsável pela execução e o prazo estimado para conclusão dos serviços.

A obrigação se estende não apenas às obras executadas diretamente pela administração municipal, mas também àquelas realizadas por autarquias, fundações, entidades da administração indireta e iniciativas desenvolvidas em parceria com organizações da sociedade civil. O Poder Executivo regulamentará aspectos operacionais, como padrões visuais e dimensões mínimas das placas.

A proposta teve origem na Câmara Municipal de Natal e foi aprovada pelos vereadores em 28 de maio. O autor do projeto, o vereador Luciano Nascimento (PSD), defendeu a iniciativa como uma ferramenta essencial para dar maior visibilidade à destinação dos recursos públicos e à atuação dos parlamentares na indicação de investimentos para a cidade.

Luciano argumentou que muitas obras financiadas com emendas não identificam adequadamente a origem do dinheiro aplicado, privando a população do direito de saber quem destinou os recursos, qual o valor investido e se houve participação financeira da Prefeitura ou de outros entes públicos. "É importante para que a gente possa ter transparência e até o nome completo e o cargo do autor da emenda. Muitas vezes destinamos recursos e isso não aparece nas placas das obras. A população precisa saber qual vereador destinou o recurso, qual foi o valor investido e se existe contrapartida da Prefeitura ou de parlamentares federais. Isso valoriza o trabalho dos vereadores e dá mais transparência às obras públicas", afirmou.

Em 2026, cada vereador de Natal pode indicar R$ 1 milhão em emendas impositivas para o orçamento municipal. Com 29 parlamentares, o volume total chega a aproximadamente R$ 29 milhões, sendo metade obrigatoriamente aplicada na saúde.

Monitoramento de emendas

Paralelamente à aprovação da lei, a Câmara Municipal discute outras propostas de transparência relacionadas a emendas parlamentares. Na semana passada, a Frente Parlamentar Contra a Corrupção da Casa defendeu a criação de uma plataforma digital para acompanhamento popular.

O debate foi conduzido pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil), autor da proposta de criação da frente parlamentar e presidente do colegiado. A exigência é que a transparência vá além da indicação genérica da área beneficiada, permitindo identificar a destinação específica do dinheiro, como compra de móveis para UPAs, aquisição de veículos, reforma de unidades públicas, apoio a instituições sociais, manutenção de serviços, obras, projetos esportivos e ações de assistência.

A ideia é que o cidadão possa consultar não apenas a indicação feita pelo vereador, mas também se o recurso foi empenhado, liquidado, pago e executado, evitando que a informação fique restrita a ofícios entre gabinetes e secretarias.

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