JOGO ELEITORAL
Paulinho Freire enfrenta base dividida e mira o Governo do Estado
Sete vereadores da base do prefeito apoiam Allyson Bezerra; Freire reafirma compromisso com Álvaro Dias e critica adversários.
O prefeito de Natal, Paulinho Freire, minimizou nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, o impacto da deserção de sete vereadores de sua base, que declararam apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, Freire reafirmou sua filosofia de não obrigar lealdades políticas, buscando preservar a autonomia dos parlamentares e a coesão do grupo que o elegeu, mesmo diante de apoios divergentes que redesenham o cenário eleitoral potiguar.
Analisando o quadro na Câmara Municipal, Freire detalhou a composição das forças: "Nós temos, dos 29 vereadores, sete com Allyson. Cinco vereadores estão no campo da esquerda, com a candidatura de Cadu Xavier (PT). E os 17 vereadores restantes estão na nossa campanha", declarou o prefeito no programa apresentado por Diógenes Dantas, colunista do jornal Agora RN.
Paulinho Freire revelou ter dialogado pessoalmente com cada um dos vereadores antes de seus respectivos anúncios de apoio a Allyson Bezerra, optando por uma abordagem conciliadora, não de confronto. "Todos que foram apoiar o candidato Allyson tiveram uma justificativa, conversaram antes", afirmou ele, reforçando sua convicção de que a política não deve ser feita por meio de imposições. "Eu não faço política obrigando ninguém a nada. Eu mostro o meu lado, o que eu quero, tudo, mas eles... têm autonomia", frisou o gestor, salientando o respeito à liberdade de escolha dos parlamentares, um pilar que molda as alianças e o panorama democrático.
Durante a conversa, Paulinho Freire detalhou as razões individuais que levaram alguns vereadores a essa escolha. Ele mencionou que Pedro Henrique (PP) mantém uma ligação política histórica com o grupo do deputado estadual Hermano Morais (MDB), hoje alinhado a Allyson. Citou a proximidade de Fúlvio Saulo (Solidariedade) com o ex-deputado estadual Kelps Lima (União) e pontuou que Robson Carvalho (União) possui razões pessoais para não apoiar Álvaro Dias. Já Tércio Tinoco (União) tem fortes laços com o deputado estadual Kleber Rodrigues (PP), um dos articuladores centrais da campanha de Allyson. Completam a lista dos sete vereadores que apoiam Allyson: Eribaldo Medeiros (Rede), Herberth Sena (PV) e Cláudio Custódio (PP).
Reforçando sua postura, o prefeito disse: "Eu procurei entender o que cada um explicou. Mostrei qual era a minha prioridade, mas disse que aceitava. Porque eu não faço política obrigando ninguém". Contudo, mesmo com as dissidências, Paulinho revelou que não desistiu de recompor parte de sua base aliada. "Fiz apelo. Eu acho que, desses aí, um vai retornar. Eu vou ter uma conversa com ele hoje", adiantou, mantendo em sigilo o nome do parlamentar em questão, o que sugere um esforço contínuo para manter a unidade política.
Paulinho Freire sublinhou a importância de preservar a coesão do coletivo que o levou à vitória em 2024: "A minha eleição não foi 'minha', foi a eleição de um grupo, de um coletivo. Quando começou a eleição, eu tinha 3, 4 pontos, e um coletivo fez a minha eleição", ressaltou. Em contrapartida aos apoios divergentes, o prefeito reiterou seu engajamento ativo na campanha de Álvaro Dias, defendendo-o como o candidato mais qualificado para governar o Rio Grande do Norte. "Álvaro foi um grande prefeito. Natal tem tudo para ter um governador que foi prefeito da cidade, que conhece a cidade. Como governador, vai ajudar nossa cidade", declarou, comprometendo-se a lutar "até a última hora para que Álvaro seja o governador".
Questionado sobre a disposição de Allyson Bezerra em manter uma relação institucional com a Prefeitura do Natal caso seja eleito governador, Paulinho Freire afirmou que o diálogo com qualquer chefe do Executivo estadual é imprescindível, apesar de sua preferência política por Álvaro Dias. "Qualquer que seja o governador, eu vou ter que dialogar. Porque Natal faz parte do Rio Grande do Norte", enfatizou o prefeito, demonstrando pragmatismo na gestão das relações institucionais em benefício da capital.
Relação com PT
Em um desdobramento interessante, Paulinho Freire também abordou a recente aproximação institucional com a vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT. Apesar da oposição do partido à sua gestão municipal, o prefeito elogiou a atuação da parlamentar na articulação de demandas da Prefeitura do Natal junto ao Governo Federal. "A oposição, principalmente a vereadora Samanda, tem muita influência no Governo Federal", reconheceu. Ele destacou que Samanda tem sido fundamental para destravar pendências relativas a obras e recursos federais para a capital, demonstrando que a cooperação pode transcender as divergências partidárias em prol dos interesses da cidade.
Contudo, o tom do prefeito mudou ao criticar a atuação da deputada federal Natália Bonavides e do vereador Daniel Valença, ambos do PT. Referindo-se às críticas da oposição durante o período de chuvas em Natal, Paulinho Freire acusou Natália de se ausentar da capital e só reaparecer em momentos de crise: "Ela desaparece de Natal e só aparece aqui na época que tem alguma desgraça aqui. Ela aparece como se fosse a salvadora da pátria". De forma contundente, associou parte dos petistas a "sapos cururus", que "ficam no pé das lagoas para ver se vai transbordar". O prefeito questionou a efetividade das emendas da deputada para obras de infraestrutura na cidade, distinguindo-as daquelas destinadas ao Estado. Ele estendeu as críticas a Daniel Valença, afirmando que o vereador "não tem trabalho nenhum para Natal". Paulinho Freire elevou a voz ao acusar setores do PT de priorizarem "a ideologia deles" em detrimento de ações concretas para a capital e o Estado. Apesar dos embates, defendeu a necessidade de separar o período eleitoral da cooperação institucional: "O palanque tem que ser montado na época da campanha", concluiu, apelando por mais colaboração em prol do Rio Grande do Norte.
Reação a Carla Dickson
Outro ponto de destaque na entrevista foi a resposta de Paulinho Freire às declarações da deputada federal Carla Dickson (PL), que insinuou um suposto uso da estrutura da Prefeitura do Natal em favor da pré-candidatura da vereadora Nina Souza (PL), esposa do prefeito. Freire negou veementemente qualquer favorecimento na administração municipal, apesar de confirmar seu apoio à candidatura da esposa. "Eu não vou permitir (uso da máquina). Inclusive, vamos fazer um decreto", garantiu, sem especificar as medidas. O prefeito defendeu que Nina Souza tem uma trajetória política consolidada e não dependeria da máquina pública, citando sua atuação como vereadora e como secretária municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas). Ele atribuiu as críticas de Carla Dickson a um possível "desespero da candidata" eleitoral. Em tom de contra-ataque, Paulinho mencionou contratos do marido da deputada, o médico e ex-deputado estadual Albert Dickson, com a Prefeitura do Natal, questionando: "O próprio esposo dela presta serviço para a prefeitura. Será que eles estão usando também a máquina dentro da gestão?". Apesar do confronto, Paulinho adotou uma postura conciliadora ao comentar o pedido de desculpas de Carla Dickson, considerando o episódio superado. "Para mim, sempre teve superado, porque não existe uso de máquina", declarou. Finalizando, o prefeito demonstrou respeito pela adversária: "Eu acho que Carla tem potencial de lutar pelos votos dela, tem potencial para se eleger. Foi um momento de empolgação dela. Ela tem tudo para se eleger, porque é uma boa candidata. E vamos participar da campanha, cada um mostrando o que pode fazer, o que já fez. E o povo é quem vai analisar tudo isso e é quem vai dizer quem vai se eleger", concluiu, reforçando a crença no veredito popular.
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