PRISÃO DE PASTOR

Pastor Márcio Pôncio é preso pela PF na Operação Unha e Carne no Rio

Pastor Márcio Pôncio sendo preso pela Polícia Federal.
Pastor Márcio Pôncio é preso em operação no Rio.

Ação da Polícia Federal cumpre mandados expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e investiga lavagem de dinheiro e conexões com o Executivo e Legislativo do RJ.

O pastor Marcio Poncio foi detido nesta quinta-feira, 02/07/2026, pela Polícia Federal (PF), em mais uma etapa da Operação Unha e Carne. A ação também visa prender o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. A decisão, que inclui mandados de busca e apreensão, partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua relevância reside na investigação de supostos esquemas de lavagem de dinheiro e ramificações com agentes públicos, impactando a confiança nas instituições e a integridade do combate ao crime organizado.

Marcio Poncio foi localizado e detido em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. De acordo com a PF, esta fase da operação tem como objetivo aprofundar a apuração sobre indícios de lavagem de dinheiro orquestrada pelo principal nome da nova cúpula do jogo do bicho, Adilsinho, e explorar possíveis conexões deste esquema com membros dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

Tanto Adilsinho quanto Rodrigo Bacellar já se encontravam sob custódia. O ex-deputado será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para uma unidade federal. Em um desdobramento financeiro, Alexandre de Moraes também determinou o sequestro de bens e valores que somam até R$ 22 milhões, visando descapitalizar as organizações investigadas.

A atual ação se insere no contexto mais amplo da decisão do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas. Essa decisão determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações aprofundadas sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos no estado e suas potenciais ligações com agentes públicos, um esforço crucial para desarticular redes criminosas que afetam a segurança e a dignidade da população.

Anteriormente, durante investigações, a PF encontrou planilhas detalhando o que pareciam ser pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade relacionada à lavagem de capitais. Esses documentos chamaram a atenção dos investigadores por indicarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Rio de Janeiro, levantando sérias questões sobre a influência do crime organizado na política.

A apuração sugere que pelo menos 20 políticos podem estar sendo investigados por receberem pagamentos regulares de Adilsinho, o que aponta para uma possível infiltração criminosa em diversas esferas de poder, minando a confiança pública e a efetividade da gestão governamental.

A Operação Unha e Carne já teve quatro fases anteriores, iniciadas em dezembro de 2025 e estendendo-se até maio de 2026. Inicialmente, a operação focava na apuração de um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Dados sensíveis compartilhados teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa, prejudicando o trabalho de segurança pública.

Em fases pretéritas, a investigação apontou que Rodrigo Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro contra o CV. O principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, considerado um articulador político da facção e que chegou a ser preso na Operação Zargun. O vazamento teria facilitado a destruição ou ocultação de provas, frustrando a ação policial e a busca por justiça.

Rodrigo Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas foi liberado dias depois com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, após decisão em plenário da Alerj. A dinâmica das prisões e libertações ressalta a complexidade das investigações e a atuação judicial no caso.

Em dezembro de 2025, a segunda fase aprofundou as investigações sobre a origem dos vazamentos, levando à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. A suspeita é que o vazamento tenha partido do Judiciário federal, com o magistrado repassando informações a Bacellar, que as teria transmitido a TH Joias, indicando uma possível rede de cooperação ilícita.

A Polícia Federal apresentou indícios de relação próxima e troca de favores entre o desembargador e o deputado, fortalecendo a hipótese de conluio. A terceira fase, em 27 de março de 2026, resultou na nova prisão de Rodrigo Bacellar, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denúncia formal da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta terceira etapa, a investigação passou a relacionar diretamente o caso à ADPF 635, evidenciando como as condutas investigadas poderiam comprometer as ações estatais no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. A denúncia da PGR, que inclui Bacellar, TH Joias e outros, aponta indícios de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado, um cenário preocupante para a ordem pública.

A quarta fase da operação, em 5 de maio de 2026, levou à prisão do deputado estadual Thiago Rangel, suspeito de comandar um esquema de fraudes em compras e serviços na Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc), demonstrando a amplitude das investigações e o alcance das práticas ilícitas.

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