FENÔMENO EXTREMO

Rajadas históricas marcam vendaval no Rio de Janeiro

Carro atingido por árvore derrubada pelo vento no Rio de Janeiro.
Árvore caída na Rua da Chegada, no Recreio dos Bandeirantes, após o vendaval.

Rajadas de 105 km/h atingem o Galeão, a maior marca em duas décadas; evento causa mortes e destruição em diversas regiões da cidade.

A força extrema do vento que atingiu a Região Metropolitana do Rio provocou um recorde nas medições meteorológicas ao registrar a rajada mais intensa das últimas duas décadas no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, nesta quarta-feira (29). Os dados foram confirmados pelo Cemaden, que identificou a marca de 105 km/h, um índice superado apenas por um evento ocorrido em 20 de agosto de 2006.

O impacto na rotina dos cariocas foi devastador, deixando um rastro de danos à infraestrutura e tragédias irreparáveis. Segundo o meteorologista Giovanni Dolif, do Cemaden, o episódio configurou um evento climático severo. Em Santa Teresa, na Região Central, a queda de um muro ceifou a vida de duas pessoas: o ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, e seu amigo, Vandré Cordeiro da Silva, de 43 anos.

A manhã desta quinta-feira (30) revelou a extensão dos prejuízos por toda a capital. Imagens captadas pelo Globocop mostraram o colapso de quase 270 árvores, imóveis destelhados e danos significativos na Cidade do Rock, incluindo parte do Palco Favela. Os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, além de Anchieta, Catumbi e Tijuca, na Zona Norte, e Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, figuram entre os locais mais impactados.

Na Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu, o cenário de destruição incluiu uma caixa d'água arrancada de um edifício de 20 andares e uma praça devastada. A rede de transportes também sofreu avarias, com o fechamento da estação Recanto das Garças, do BRT Transoeste, que teve sua cobertura parcialmente arrancada.

O poder público atribuiu a intensidade do fenômeno à influência do Super El Niño. Contudo, especialistas da Climatempo ressaltam que, embora a atmosfera responda ao fenômeno com maior frequência de eventos extremos, a conexão direta como causa exclusiva da ventania é uma interpretação considerada tecnicamente equivocada pela meteorologia.

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