PRESSÃO POR SAÍDA

Palanato espera saída de Jaques Wagner da liderança no Senado após caso Banco Master

Senador Jaques Wagner em evento no Senado Federal.
Senador Jaques Wagner (PT) — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Decisão sobre permanência do senador Jaques Wagner (PT) na liderança do governo no Senado será discutida em reunião com o presidente Lula; caso Banco Master gera desconforto no Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá nesta quarta-feira, 24/06/2026, com o senador Jaques Wagner (PT) em Brasília para debater a permanência do senador na liderança do governo no Senado. A decisão ocorre uma semana após a operação da Polícia Federal, relacionada ao caso Banco Master, colocar Jaques Wagner no centro das investigações. Apesar da pressão nos bastidores, Wagner segue no cargo, mas o cenário indica uma mudança de rumos nos próximos dias.

Inicialmente, após a operação policial na quinta-feira passada, integrantes do Palácio do Planalto consideraram um afastamento temporário do senador para que ele pudesse focar em sua defesa. Contudo, o roteiro planejado não se concretizou. No mesmo dia, Jaques Wagner descartou qualquer intenção de sair e afirmou ter recebido apoio do presidente Lula, demonstrando que não pretendia renunciar à função.

A situação gerou desconforto entre membros do governo e dirigentes do PT. A avaliação é que a continuidade de Wagner na liderança pode prejudicar a imagem do governo federal, associando-o às investigações do Banco Master. A oposição já articula a exploração do episódio como fator de desgaste político com potencial eleitoral, combinando especulações anteriores, fatos da investigação e imagens da apreensão de valores.

Um interlocutor do governo resumiu a apreensão em três pontos: "o boato, o fato e a foto". O "boato" se refere às especulações iniciais sobre ligações de petistas baianos com o caso. O "fato" surgiu com as investigações mirando Jaques Wagner, devido à sua relação com Augusto Lima, apontado como sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A "foto" remete às imagens da apreensão de dinheiro em endereços ligados ao entorno do senador.

A preocupação governista é evitar que esse conjunto de elementos seja usado na campanha eleitoral. Por isso, cresce entre aliados a expectativa de que o próprio Jaques Wagner opte por deixar a liderança, poupando o presidente Lula do constrangimento de solicitar a saída de um aliado de longa data. A amizade entre Lula e Wagner, que remonta a quase cinco décadas, reforça a necessidade de uma solução que preserve a dignidade de ambos e evite desgastes desnecessários.

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