EXPLORAÇÃO SEXUAL NO PR
Pai e madrasta pegam mais de 300 anos por explorar adolescentes sexualmente
Casal ameaçava e chantageava jovens para produzir e divulgar material pornográfico. Decisão é inédita no estado pela severidade da pena e detalhamento dos crimes. Defesa anuncia recurso.
Um pai e sua madrasta foram condenados a mais de 300 anos de prisão cada pela Justiça do Paraná, em decisão proferida nesta terça-feira, 16. O casal é acusado de ameaçar duas adolescentes para que elas produzissem e divulgassem material pornográfico. A sentença, que também considerou crimes sexuais, chantagem e armazenamento ilegal de conteúdo, é um marco pela severidade e detalhamento dos crimes, que ocorreram em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
A investigação revelou um esquema de coação contínua, no qual o casal usava ameaças para obrigar as vítimas, então com 13 e 15 anos, a produzir conteúdo íntimo. A defesa informou que irá recorrer da decisão, que ainda não transitou em julgado.
O homem foi sentenciado a 358 anos, 2 meses e 11 dias de reclusão, enquanto a mulher recebeu pena de 319 anos, 8 meses e 8 dias. Ambos deverão indenizar cada vítima em R$ 100 mil e cumprirão a pena em regime fechado. O Tribunal de Justiça do Paraná proferiu a decisão.
Segundo o delegado Gabriel Fontana, que conduziu as investigações pela Polícia Civil, o primeiro vídeo foi gravado sob coação paterna. Posteriormente, as ameaças se intensificaram, com a invocação de um suposto contexto de seita para forçar as adolescentes a cumprirem as exigências, totalizando cerca de 20 gravações de nudez e atos sexuais entre si.
Conversas obtidas pela Polícia Civil indicam que as garotas enviavam mais de 50 arquivos diários aos acusados, com prazos e controle de qualidade. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) detalhou que o pai e a madrasta impunham metas e controlavam as atividades por aplicativos de mensagens, instruindo as vítimas sobre como agir diante das câmeras.
O caso veio à tona após denúncia da mãe das adolescentes, que relatou a humilhação e perseguição sofridas pelas filhas na escola, a ponto de uma delas faltar mais de 300 aulas e ser reprovada. A mãe, que perdeu o emprego após o envio das imagens para sua chefe, listou os crimes: coação, estupro de vulnerável, corrupção de menores, tráfico de pessoas, produção e divulgação de pornografia infantil e ameaça.
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