ACESSO ILEGAL À PF
Pai de dono do Banco Master teve acesso ilegal a sistema da PF, aponta relatório
Relatório da Polícia Federal indica que Henrique Vorcaro utilizava infiltrados para consultar sistemas internos. Caso tramita no STF.
A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira, 16/06/2026, que Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou supostos infiltrados para acessar indevidamente sistemas internos da corporação. A descoberta, detalhada em um relatório preliminar, levanta sérias questões sobre a integridade dos dados e a segurança das informações sigilosas.
Durante uma operação de busca e apreensão na residência de Henrique Vorcaro, a PF encontrou uma impressão de tela do sistema Sinapse, ferramenta de uso restrito aos agentes. A imagem exibia uma consulta realizada ao nome de Augusto Conte, ex-sócio de Vorcaro. Este achado reforça a suspeita de que Henrique dispunha de servidores dispostos a agir ilicitamente para atender seus interesses pessoais, segundo a corporação.
As revelações surgem em um momento crucial para o caso, que envolve a atuação de Henrique Vorcaro no esquema do Banco Master. As informações foram publicizadas por André Mendonça logo após o ministro Gilmar Mendes devolver um pedido de vista, trazendo à discussão presencial o julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Henrique. O caso estava em análise no plenário virtual e a expectativa de um possível empate no julgamento aumentou com o pedido de vista de Mendes.
Além da suspeita de acesso a servidores da PF, o documento enviado ao ministro Mendonça nesta terça-feira também detalha mensagens apreendidas. Nelas, Henrique e Manoel Rodrigues, conhecido bicheiro e funcionário ligado a Vorcaro, demonstram grande preocupação com a prisão de Felipe Mourão, identificado como Sicário. As mensagens sugerem um alinhamento de teses defensivas com seus advogados, antecipando possíveis desdobramentos da Operação Compliance Zero.
A investigação indica que, após a morte de Sicário, Manoel Rodrigues buscou impedir a colaboração de familiares de Felipe Mourão com as autoridades. A PF aponta indícios de que ajustes foram realizados envolvendo a transferência de contratos e valores que seriam devidos a Sicário, com o objetivo de garantir o silêncio dos familiares sobre as atividades ilícitas do grupo.
Segundo a Polícia Federal, a eventual liberação de Henrique Vorcaro e Manoel Rodrigues da prisão poderia resultar na retomada de contatos com outros integrantes do esquema. Isso, na visão da corporação, viabilizaria a continuidade das atividades ilícitas praticadas pela família.
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