FALTA DE MEDICAMENTO
Pacientes com diabetes em Natal enfrentam escassez de insulina de ação prolongada há cinco meses
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) alega dificuldades em licitação após desistência de empresa. Ministério Público já havia fiscalizado o desabastecimento.
Pacientes com diabetes em Natal enfrentam uma grave escassez de insulina de ação prolongada há quase cinco meses. Desde o início de 2026, o fornecimento do medicamento essencial para o controle da glicemia tem sido interrompido, gerando apreensão e dificuldades para quem depende do Prosus, o serviço público de distribuição de fármacos na capital potiguar. A situação já foi alvo de fiscalização do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP RN), que cobrou ações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria de Administração de Natal.
A SMS informou, em nota, que a falta da insulina Glargina, um antidiabético de ação prolongada, ocorreu após a empresa vencedora de um processo licitatório pedir desistência. Essa desistência inviabilizou a obtenção de uma ata de registro de preço, o que, segundo a pasta, dificultou a continuidade do fornecimento. Um novo processo licitatório para regularizar o abastecimento já foi iniciado e está em fase final de trâmites.
Apesar da dificuldade com a insulina de ação prolongada, a Secretaria Municipal de Saúde assegura que o Prosus mantém estoque suficiente da insulina de ação rápida, do tipo Asparte, para os usuários do programa. No entanto, pacientes relatam que a medicação de ação rápida não supre a necessidade diária e que a ausência da versão prolongada compromete o controle da doença, elevando os níveis de glicose no sangue.

O problema de desabastecimento não é inédito. Segundo relatos de pacientes, no ano passado, a insulina de ação prolongada esteve disponível apenas nos meses de outubro e novembro, faltando durante o restante do ano. O aposentado Ozaías Carapuça, que trata diabetes, lembrou que a falta começou em janeiro de 2026 e perdura por cinco meses, impactando diretamente sua qualidade de vida e o manejo da doença.
Em março de 2026, o Ministério Público do Rio Grande do Norte realizou uma fiscalização e constatou o desabastecimento de medicamentos básicos, incluindo a insulina de ação prolongada. Na ocasião, o MP determinou um prazo de 15 dias para que as secretarias de Saúde e de Administração adotassem medidas administrativas e orçamentárias para repor os insumos e apresentassem um plano de ação para garantir o fornecimento contínuo. Contudo, a situação ainda não foi solucionada.
Diante da falta de medicação pública, muitos pacientes são forçados a arcar com os custos do tratamento. A aposentada Francisca Oliveira, que utiliza insulina e materiais para medição de glicose, estima gastar até R$ 1.200 mensais para garantir o tratamento. A falta de insumos básicos, como fitas para glicosímetros, também é relatada, obrigando os pacientes a buscarem alternativas e a enfrentarem longas filas em busca de respostas.
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal reafirmou, em nota oficial, que a pasta está empenhada em agilizar o processo e regularizar o abastecimento dos insumos o mais rápido possível. A SMS esclarece que a distribuição das insulinas é destinada a munícipes com Diabetes Mellitus tipo 2, cadastrados no ProSUS. O município garante o fornecimento de insulinas de ação rápida e busca solucionar a questão da ação prolongada.
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