CRISTE HUMANITÁRIA GRAVE

Surto de Ebola atinge marco trágico na República Democrática do Congo

Equipes de saúde realizam testes de Ebola em passageiros de embarcação na República Democrática do Congo.
Passageiros de um barco interceptado pelas autoridades de saúde do Congo são testados para Ebola, em foto de arquivo de 6 de agosto de 2026 — Foto: Benoit Nyemba/Reuter

Com 2.325 mortes registradas, a epidemia atual supera o surto de 2018-2020 e se consolida como o mais mortal da história nacional.

O surto de Ebola na República Democrática do Congo tornou-se o mais letal da história do país após o número de fatalidades atingir 2.325. O dado foi oficializado pelo governo neste domingo (16), superando o total de 2.299 vidas perdidas registradas entre 2018 e 2020.

O instituto de saúde pública do Congo detalhou que os casos confirmados alcançaram a marca de 4.945, com um incremento de 101 novas ocorrências contabilizadas nas últimas 24 horas. Este é o 17º episódio da doença na região e, globalmente, é superado apenas pela crise de 2014-2016 na África Ocidental, que afetou Guiné, Libéria e Serra Leoa.

A gravidade da situação reside na velocidade da propagação: enquanto surtos anteriores levaram meses para atingir mil mortes, a atual linhagem Bundibugyo alcançou a casa dos 2.000 óbitos em menos de três meses. A ausência de vacinas ou tratamentos aprovados específicos para esta variante intensifica o desafio humanitário.

A taxa de letalidade, que reflete o impacto devastador na população, saltou de 20% em junho para 46%. Segundo Thomas Parisch, especialista destacado para a República Democrática do Congo com a organização Médicos Sem Fronteiras, a falha não está em uma mutação do vírus, mas na precariedade do rastreamento.

"Ainda vemos muitos casos detectados tardiamente, quando o tratamento tem menos probabilidade de sucesso, e muitos são identificados apenas depois de morrerem na comunidade", explica Parisch. A infraestrutura de saúde fragilizada, somada à instabilidade local, dificulta a identificação rápida, resultando em um cenário onde um em cada dois infectados não sobrevive.

Embora autoridades globais avaliem terapias experimentais e vacinas em estudos com animais, a contenção do vírus permanece um desafio complexo. O Ebola, que se propaga pelo contato com fluidos corporais, exige vigilância contínua, como observado recentemente na vizinha Uganda, onde o avanço da doença foi controlado com sucesso antes da declaração de fim do surto.

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