CRIME E SAÚDE
Polícia desarticula esquema milionário de anabolizantes falsificados no Brasil e Paraguai
Operação bloqueou R$ 32 milhões em bens e expôs riscos fatais de produtos fabricados de forma precária em cozinhas improvisadas.
Uma operação policial deflagrada para desarticular uma rede criminosa de produção e venda de anabolizantes falsificados revelou um esquema que colocava em risco a saúde de consumidores em todo o território nacional. A ação, que culminou na prisão de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya, em Ciudad del Este, no Paraguai, desmantelou uma estrutura que operava laboratórios clandestinos em Brasília, João Pessoa e São Paulo.
O ponto de partida da investigação ocorreu em fevereiro de 2025, após a apreensão de um celular em Taguatinga, no Distrito Federal. O material revelou áudios que detalhavam a fabricação amadora de substâncias em panelas e fogões, ignorando protocolos mínimos de higiene e segurança. Em um dos registros, Carlos Henrique Rodrigues de Abreu, detido durante a ação, alertava para o risco de contaminação química no processo.
Os produtos, que simulavam ser de origem internacional, eram distribuídos via internet, clínicas de estética e lojas de suplementos. A matéria-prima entrava ilegalmente no Brasil por meio da fronteira com o Paraguai, sendo transportada dentro de peças automotivas para evitar a fiscalização. O delegado Rodrigo Carbone, responsável pelas investigações, destacou que o Poder Judiciário autorizou o bloqueio inicial de R$ 32 milhões em bens dos envolvidos, mas ressaltou que a dimensão do grupo é significativamente maior.
A narrativa de sucesso nas redes sociais, promovida por influenciadores como Ana Luiza e Alam Manoel Lima, escondia uma realidade perigosa. Clientes relataram episódios de falta de ar e mal-estar após o uso dos compostos, que, segundo especialistas, podem aumentar em até cinco vezes o risco de morte por doenças cardiovasculares. Além da falsificação, a polícia investiga a lavagem de dinheiro, suspeitando que um restaurante no Distrito Federal era utilizado para ocultar os lucros ilícitos.
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