FALTA DE PRODUTOS CRESCE
Ovos e café impulsionam índice de ruptura em supermercados em maio
Índice que mede a indisponibilidade de itens nas gôndolas avançou para 12,4% em maio de 2026, com ovos registrando a maior alta.
A dificuldade em repor produtos nas prateleiras de supermercados brasileiros aumentou em maio de 2026, interrompendo uma sequência de melhora observada no mês anterior. O Índice de Ruptura, que mede a falta de itens nas gôndolas, atingiu 12,4% naquele mês, conforme dados divulgados pela Neogrid nesta quinta-feira, 02/07/2026. O resultado representa uma elevação de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando o índice era de 11,5%.
A indisponibilidade de mercadorias, especialmente de ovos, revelou um desafio maior na reposição em diversas categorias do varejo alimentar. A tendência de piora na reposição é influenciada por uma combinação de fatores que vão desde a sazonalidade e oscilações de preço até mudanças no ritmo de consumo. O cenário exige que o varejo encontre um equilíbrio entre ter produtos disponíveis e o capital investido em estoque, um desafio que se intensifica diante de variações simultâneas em oferta, demanda e custos logísticos.
As categorias que mais se destacaram pela falta de produtos em maio de 2026 no Brasil foram:
Ovos de aves
Os ovos voltaram a registrar forte pressão de abastecimento, liderando o ranking de indisponibilidade entre as categorias monitoradas. A falta do produto nas prateleiras saltou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, um aumento de 2,9 pontos percentuais. Essa elevação ocorre mesmo com a queda nos preços, com embalagens de seis unidades passando de R$ 7,51 para R$ 7,15. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a produção brasileira de ovos de galinha alcançou 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026, um volume 0,4% superior ao mesmo período de 2025. Contudo, houve uma retração de 3,5% em relação ao quarto trimestre de 2025, sinalizando uma desaceleração na oferta.
Café
Apesar da redução nos preços em maio, o café também sentiu o impacto do aumento da ruptura. O índice de falta nas gôndolas evoluiu de 6,8% em abril para 8,6% em maio, um acréscimo de 1,8 ponto percentual. A pressão no abastecimento do varejo se intensificou nesse período, com o preço do café em pó caindo de R$ 73,45 para R$ 71,22 por quilo e o café em grãos, de R$ 133,96 para R$ 127,28.
Açúcar
Mantendo a tendência de aumento iniciada em abril, a ruptura do açúcar escalou de 8,6% para 10,4% em maio (+1,8 p.p.). Os preços seguiram em trajetória de queda, com o açúcar refinado recuando de R$ 4,39 para R$ 4,23 por quilo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço da safra e o aumento da oferta de açúcar contribuíram para a continuidade da queda dos preços, tornando a categoria mais procurada pelos consumidores.
Azeite
Após uma melhora em abril, o azeite voltou a apresentar aumento na ruptura em maio, subindo de 10,8% para 12,6% (+1,8 p.p.). O resultado está alinhado à sazonalidade da categoria, com oscilações no ritmo de abastecimento e consumo. O preço do azeite virgem teve leve alta, de R$ 62,66 para R$ 63,71 por litro, enquanto o extravirgem apresentou recuo de R$ 75,20 para R$ 74,42.
Vinho
A falta de vinho nas prateleiras aumentou de 10,6% para 12,2% (+1,6 p.p.), refletindo o comportamento sazonal da categoria, com maior consumo nos meses mais frios. Os preços de vinhos importados e finos nacionais apresentaram queda, enquanto o vinho de mesa e o chopp de vinho permaneceram estáveis. A sangria, no entanto, subiu de R$ 11,28 para R$ 12,28.
Cerveja
A cerveja registrou a menor elevação na ruptura entre os itens monitorados, saindo de 10,4% em abril para 11,5% em maio (+1,1 p.p.). Mesmo em um período de consumo mais moderado que o verão, a categoria exige atenção dos varejistas pelo seu alto giro e variedade. Os preços apresentaram pequenas variações, com a cerveja clara recuando de R$ 13,75 para R$ 13,72 e a artesanal caindo de R$ 19,66 para R$ 19,20.
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