ALERTA PARA RISCOS

Organizações alertam governo sobre impactos do Super El Niño Previsto

Desastre natural com casas alagadas e lama.
Imagem ilustrativa de enchentes e desastres causados por chuvas extremas no Brasil.

Avançado pela Rede por Adaptação Antirracista e Observatório do Clima, documento pede políticas de prevenção e adaptação climática, com foco nas populações mais vulneráveis.

Organizações da sociedade civil enviaram um alerta ao governo federal nesta sexta-feira, 22/05/2026, enfatizando a necessidade urgente de políticas de adaptação climática focadas nas populações mais vulneráveis. O documento destaca os efeitos devastadores de eventos climáticos extremos já observados no Brasil e exige medidas preventivas contra inundações, deslizamentos de terra, secas prolongadas, estiagens, ondas de calor e incêndios florestais. A iniciativa busca antecipar os impactos previstos para o fenômeno Super El Niño. A advertência, apresentada pela Rede por Adaptação Antirracista em colaboração com o Observatório do Clima, ocorre em um momento crucial em que agências meteorológicas internacionais monitoram a formação iminente do El Niño em 2026. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) projetou, em relatório divulgado na sexta-feira, 14 de maio de 2026, uma probabilidade de 37% de o fenômeno atingir uma intensidade “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Adicionalmente, a Noaa calcula em 82% a chance de formação do El Niño entre maio e julho de 2026. Embora a expressão “super El Niño” não seja oficialmente empregada pela Noaa, ela é comumente utilizada para descrever episódios de excepcional intensidade do fenômeno. No território brasileiro, tal cenário pode exacerbar o risco de secas nas regiões Norte e Nordeste, ao mesmo tempo em que intensifica as chuvas no Sul do país. A carta sublinha que o Brasil já experimenta os efeitos severos do aquecimento global. Como exemplos, cita-se as chuvas torrenciais que atingiram o litoral norte de São Paulo em fevereiro de 2023, com precipitações de 682 mm em Bertioga e 626 mm em São Sebastião, e a trágica ocorrência em Petrópolis em 2022, onde 241 vidas foram perdidas após 530 mm de chuva em um único dia. As entidades ressaltam que os desastres climáticos não afetam a todos de forma igualitária. Pessoas negras, moradores de periferias, comunidades quilombolas e indígenas, mulheres, crianças e habitantes de áreas de risco enfrentam uma exposição significativamente maior. A precariedade da infraestrutura urbana e a ausência de políticas habitacionais adequadas agravam ainda mais essas vulnerabilidades, segundo o documento. As organizações clamam por uma mudança de paradigma, onde as políticas públicas deixem de ser reativas e passem a ser proativas. "Não é aceitável que haja mobilização somente nos momentos de tragédia, deixando de lado a obrigação legal de garantir uma abordagem sistêmica das ações de prevenção, mitigação, preparação, reparação, resposta e recuperação em desastres", aponta a carta. O texto argumenta que o alto volume de chuvas, por si só, não justifica enchentes e deslizamentos fatais, pois a falta de planejamento e infraestrutura adequada agrava o cenário. A carta detalha uma série de medidas essenciais de prevenção e resposta, incluindo a instalação de sistemas de alerta e sirenes em áreas de risco, o desenvolvimento de planos de fuga participativos, a criação de centros de monitoramento, a implantação de estações meteorológicas e a elaboração de planos de adaptação municipais. Adicionalmente, as entidades demandam a atualização do Plano Nacional de Adaptação (PNA) e a reativação dos espaços de participação social nas decisões ambientais. Defendem que as políticas climáticas devem integrar abordagens sobre moradia, saúde, educação, gestão territorial, agricultura familiar e titulação de terras quilombolas. O documento conta com o apoio de dezenas de organizações renomadas, como Observatório do Clima, Coalizão Negra por Direitos, Greenpeace Brasil, Oxfam Brasil, WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Pólis, Instituto Ethos, Conectas Direitos Humanos e Transparência Brasil.

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