BATALHA NO LEGISLATIVO

Oposição articula no Congresso Nacional para derrubar decretos de Lula sobre big techs

Vista do prédio do Congresso Nacional sob céu aberto.
Fachada do Congresso Nacional, onde parlamentares articulam votações para o segundo semestre de 2026.

Parlamentares planejam derrubar atos que alteram regras do Marco Civil da Internet. Medida gera embate sobre liberdade de expressão e fiscalização estatal.

Parlamentares da oposição definiram como prioridade para o retorno das atividades do Congresso Nacional, em agosto, a tentativa de anular decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que elevam as obrigações das plataformas digitais. A ofensiva busca derrubar os textos por meio de Projetos de Decreto Legislativo (PDLs), sob o argumento de que as novas regras representam uma intervenção indevida do Estado no ambiente digital.

Os decretos, que entraram em vigor nesta segunda-feira, 20/07/2026, intensificaram o debate entre os poderes. Enquanto o governo justifica as normas como necessárias para conter fraudes e crimes online, legisladores da oposição articulam, neste domingo, 19/07/2026, estratégias para barrar as medidas, incluindo a possibilidade de convocar sessões extraordinárias durante o recesso parlamentar, iniciado em 18/07/2026.

O impasse no Legislativo

O senador Esperidião Amin (PP-SC) defende que o Senado se reúna imediatamente para deliberar sobre o tema, sob a alegação de que as normas ferem a Constituição Federal. Paralelamente, o senador Magno Malta (PL-ES) aponta que a derrubada dos decretos será prioridade absoluta na retomada dos trabalhos. A oposição avalia, inclusive, apresentar requerimentos de urgência para que o tema seja votado diretamente no plenário, contornando a tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde os projetos permanecem sem relator sob a presidência do senador Otto Alencar (PSD-BA).

Na Câmara dos Deputados, onde tramitam 27 dos 32 PDLs propostos, a expectativa recai sobre o despacho do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A tensão política é alimentada, segundo bastidores, pelo desgaste na relação entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Visões opostas sobre o Marco Civil

O foco da controvérsia é a alteração na regulamentação do Marco Civil da Internet. O governo, representado pelo secretário de Políticas Digitais da Secom, João Brant, sustenta que a atuação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) e da AGU (Advocacia-Geral da União) é legítima e já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como constitucional. Brant ressalta que as novas obrigações visam proteger o cidadão contra a "epidemia de fraudes" em políticas públicas como o Bolsa Família e o ENEM.

Por outro lado, críticos afirmam que delegar à AGU a notificação de remoção de conteúdos abre brechas para censura e restrição à liberdade de expressão. Além disso, as empresas de tecnologia manifestam preocupação com o aumento dos custos de conformidade e a insegurança jurídica gerada por intervenções diretas do Executivo em suas operações internas.

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