INVESTIGAÇÃO FEDERAL ABALA

Operação Mederi abala candidatura de Alysson Bezerra após contradição sobre senhas

Foto de Alysson Bezerra em evento político.
Alysson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado.

Ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, é apontado por contradição em depoimento sobre Operação Mederi. A decisão de negar acesso aos seus dispositivos pode custar a liderança nas pesquisas.

A pré-candidatura de Alysson Bezerra ao Governo do Estado, que até então desenhava um cenário de calmaria e liderança isolada nas pesquisas de intenção de voto, agora enfrenta trepidações significativas. O ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (UB), que confronta as forças de Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT), vê sua trajetória política sob escrutínio devido aos desdobramentos da Operação Mederi. Deflagrada em 27 de janeiro pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), a investigação sobre o suposto desvio de recursos públicos na saúde de Mossoró ganha contornos de crise de credibilidade após uma flagrante contradição nas declarações de Bezerra.

Em entrevista recente a uma emissora de rádio em Natal, Alysson Bezerra afirmou ter fornecido, de livre e espontânea vontade, as senhas de seu celular, notebook e pen-drive aos investigadores federais. Essa narrativa de colaboração plena, no entanto, foi desmentida por documentos oficiais da Polícia Federal, revelados pelo jornalista Dinarte Assunção em seu Blog do Dina. Os autos indicam que o ex-prefeito se negou formalmente a entregar os acessos solicitados pelos federais.

A contradição acende um sinal vermelho no cenário eleitoral, sugerindo que Alysson Bezerra teme o que pode ser extraído de seus dispositivos. A negação em fornecer as senhas configura uma confissão tática de vulnerabilidade. Caso a Polícia Federal obtenha acesso aos dados por vias técnicas e encontre elementos comprometedores, o revés na candidatura do líder nas pesquisas se tornará uma certeza, impactando diretamente sua dignidade e a confiança do eleitorado.

A situação evoca paralelos com casos de desgaste político nacional. Ao faltar com a verdade sobre as senhas, Alysson Bezerra atrai para si um script de desconfiança similar ao que afeta candidaturas de projeção nacional, como a de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Ambos sustentam pré-candidaturas majoritárias ancoradas em popularidade e bases consolidadas, mas se veem encurralados por investigações federais e pelo desgaste de suas defesas perante a opinião pública. Enquanto a postulação de Flávio cambaleia sob revelações e apurações, Alysson experimenta os primeiros efeitos de um processo similar no Rio Grande do Norte. Se a PF confirmar irregularidades, a candidatura de Bezerra, mesmo liderando as pesquisas, ficará sobre o solo movediço da Operação Mederi.

Em outro contexto, o jornal Folha de São Paulo, em seu editorial "TCU (Tribunal de Contas da União) mostra precariedade da política" nesta quarta-feira, 17, destacou a fragilidade das instituições. Um relatório sobre as contas de 2025 apontou artifícios usados para driblar controles orçamentários, exemplificando a precariedade quando a própria corte, segundo a publicação, atropela normas com gratificações acima do teto. A Folha ressalta a vulnerabilidade do TCU a ingerências políticas, com a maioria de seus ministros escolhidos pelo Congresso e um indicado pelo Planalto, um péssimo exemplo para a sociedade.

Nos bastidores políticos, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que foi preterido como candidato ao Senado pelo União Brasil, expressa descontentamento. Apesar de o partido dispor de recursos financeiros, a alegação de falta de verba foi usada para barrar sua candidatura, uma "rasteira" diplomática aplicada por Alysson Bezerra e José Agripino. Após um período de recolhimento e isolamento político, Carlos Eduardo Alves retorna à cena para apoiar Alysson Bezerra e anuncia candidatura a deputado estadual pelo mesmo partido que o preteriu, demonstrando a complexidade e as reviravoltas comuns na política.

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