ALERTA SAÚDE PÚBLICA

Opas alerta: gripe K avança no Hemisfério Sul

Mulher espirrando em espaço público, representando a transmissão de doenças respiratórias.
Foto: Metrópoles

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) prevê uma temporada de inverno desafiadora, com a variante H3N2 da gripe K ganhando terreno no Hemisfério Sul. O Brasil já registra um aumento de 7,4% na taxa de positividade da influenza até março, com 72% das amostras ligadas ao subclado K, elevando o risco de sobrecarga nos serviços de saúde e urgindo por reforço na vacinação e cuidados básicos.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou, nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, sobre o avanço preocupante de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para a variante H3N2 da gripe, conhecida como gripe K. A entidade expressa grande preocupação com o iminente início da temporada de inverno na região, prevendo um rápido aumento de casos que pode sobrecarregar os sistemas de saúde e impactar diretamente a vida e o bem-estar de milhares de pessoas.

A Opas chama atenção para o risco iminente de um crescimento rápido no número de casos nas próximas semanas, que, se concentrado em curtos períodos, pode levar à sobrecarga dos serviços de saúde. Isso significaria filas, leitos escassos e dificuldades no atendimento, afetando a dignidade e o acesso à saúde para muitos.

No Brasil, o cenário já demonstra os primeiros sinais dessa elevação. A taxa de positividade para influenza, um indicador crucial da circulação viral, saltou de menos de 5% no primeiro trimestre para 7,4% ao fim de março de 2026, acendendo um alerta para a saúde pública.

O monitoramento genético dos vírus em circulação também revela uma mudança significativa. Entre as amostras analisadas até 21 de março de 2026, impressionantes 72% estavam associadas ao subclado K, confirmando a predominância dessa variante no país. Essa tendência reflete o padrão já observado no Hemisfério Norte, onde a mesma linhagem desempenhou um papel central na última temporada de gripe.

Entenda a gripe K e seus riscos

A gripe K não se trata de um vírus novo, mas sim de uma variação dentro da linhagem já conhecida da influenza A (H3N2). É um subclado, uma ramificação genética que surge da evolução natural do vírus, e sua crescente presença exige vigilância.

No Brasil, a detecção inicial da variante ocorreu em dezembro de 2025, em um caso identificado no Pará. Desde então, as autoridades sanitárias intensificaram o acompanhamento para monitorar sua disseminação e impacto.

Até o momento, não há evidências de que a gripe K provoque quadros mais graves em comparação com outras versões da influenza. A principal preocupação reside em sua capacidade de transmissão e na possibilidade de estender a duração da temporada de gripe, prolongando o período de risco. Os sintomas permanecem os clássicos da influenza, facilmente confundíveis com outras viroses, o que exige atenção:

  • Febre
  • Dor no corpo
  • Cansaço
  • Tosse
  • Dor de garganta

A situação de alerta se estende além da gripe. Dados recentes do boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram um aumento expressivo nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o país.

Das 27 unidades federativas, 24 já se encontram em nível de alerta, risco ou alto risco, indicando uma situação preocupante. Em 2026, mais de 46 mil casos de SRAG foram registrados, com uma parte significativa associada à influenza A e ao vírus sincicial respiratório (VSR).

VSR avança e agrava preocupação

Além da influenza, o vírus sincicial respiratório (VSR) também registra um aumento gradual, com uma circulação que se antecipou ao padrão esperado. Este vírus afeta com maior intensidade crianças pequenas e pode gerar complicações respiratórias sérias, como a bronquiolite, que exige internação e cuidados intensivos. A presença simultânea de diversos vírus respiratórios eleva drasticamente o risco de colapso sobre a rede de saúde, ameaçando a capacidade de atendimento.

Prevenção e vacinação: um escudo essencial

Diante desse cenário desafiador, a Opas reforça a necessidade de intensificar as campanhas de vacinação. Essa estratégia é considerada um escudo essencial para evitar internações e, tragicamente, mortes. Mesmo com a circulação da variante K, a vacina contra a gripe mantém sua eficácia e já contempla a cepa H3N2. No Hemisfério Norte, o imunizante demonstrou uma proteção significativa contra as formas graves da doença, especialmente entre crianças, salvando vidas e aliviando a carga nos hospitais.

No Brasil, a campanha de vacinação está em pleno andamento e prioriza os grupos mais vulneráveis: idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que são os mais suscetíveis a complicações graves. Além da vacinação, a adoção de cuidados básicos continua sendo fundamental para frear a transmissão e proteger a todos:

  • Higienizar as mãos com frequência
  • Evitar contato com pessoas que apresentem sintomas
  • Permanecer em casa em caso de febre
  • Manter ambientes ventilados

Com a chegada dos meses mais frios, a combinação de medidas preventivas e uma vigilância sanitária robusta será determinante para conter o avanço dos vírus respiratórios, garantindo a saúde e a segurança da população.

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