ROTA CRÍTICA

ONU exige liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, alertando para crise global, enquanto Irã institui nova autoridade de controle

ONU exige liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, alertando para crise global, enquanto Irã institui nova autoridade de controle

Organização alertou em 18 de maio de 2026 para inflação global e crise alimentar, enquanto Irã formaliza controle do tráfego. Entenda o impasse.

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu Secretário-Geral António Guterres e do porta-voz adjunto Farhan Haq, exigiu nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a restauração imediata da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. A entidade alerta para as "sérias consequências globais", como inflação, desaceleração econômica e uma futura crise alimentar, caso as restrições ao tráfego de mercadorias na via marítima estratégica persistam. A preocupação da ONU surge no mesmo dia em que o Irã anunciou a criação de uma nova Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), que visa controlar e condicionar o acesso à hidrovia.

Questionado sobre a possibilidade de o bloqueio de fertilizantes e bens humanitários configurar um crime contra a humanidade, Farhan Haq descreveu a situação como "um enorme problema para o mundo". Ele ressaltou que a escassez de combustível e fertilizantes afetaria desproporcionalmente os países menos preparados para suportar choques econômicos.

António Guterres defende veementemente a retomada da livre navegação no Estreito de Ormuz, em total conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e outras legislações pertinentes. Ao comentar sobre a suposta criação, pelo Irã, de uma Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para supervisionar o acesso pela hidrovia, Haq foi enfático: "Não queremos nenhuma entidade que restrinja o acesso. Queremos garantir que não haja restrições à liberdade de navegação", declarou.

Entenda a situação no Estreito de Ormuz

O Irã informou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), um novo órgão destinado a gerir o tráfego de passagem pela vital hidrovia. Conforme publicação na rede social X, a navegação no perímetro delimitado do Estreito, cujos limites foram estabelecidos previamente pelas forças armadas e autoridades da República Islâmica do Irã, está "condicionada à coordenação completa com essas instituições, e a passagem sem permissão será considerada ilegal".

Atualmente, o Irã permite a travessia de embarcações não ligadas a Estados que atacam o país, desde que haja coordenação com Teerã. Em um claro sinal de prontidão para o conflito, a mídia estatal iraniana noticiou na sexta-feira, 15 de maio de 2026, que mais de 31 milhões de iranianos se inscreveram em uma campanha de defesa nacional, enquanto o país iniciava cursos de armamento para voluntários pró-governo.

Em contrapartida, os Estados Unidos também impõem bloqueios aos portos iranianos. Até domingo, 17 de maio de 2026, as autoridades americanas haviam redirecionado 81 navios comerciais e imobilizado quatro embarcações para assegurar o cumprimento dessas sanções. Mais de cinco semanas após o cessar-fogo no conflito com os Estados Unidos entrar em vigor, as exigências de ambos os países permanecem distantes, apesar dos esforços diplomáticos para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo e gás.

Desde o cessar-fogo, forças americanas e iranianas têm se envolvido em múltiplos confrontos diretos dentro e ao redor do Estreito. A interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, causada pelo Irã, provocou a maior crise de abastecimento de petróleo da história, elevando os preços globalmente.

No sábado, 16 de maio de 2026, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, anunciou que Teerã preparou um mecanismo para gerenciar o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz ao longo de uma rota designada, que será divulgado em breve. Azizi acrescentou que apenas embarcações comerciais e entidades que cooperam com o Irã se beneficiarão do acordo, e taxas serão cobradas por serviços especializados prestados no âmbito desse mecanismo.

Tentativa de acordo

As negociações mediadas pelo Paquistão, visando resolver o impasse, estão suspensas desde que o Irã e os EUA rejeitaram as propostas mais recentes um do outro. Contudo, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, Teerã enviou uma proposta revisada.

O chanceler iraniano Abbas Araqchi declarou que "mensagens contraditórias" geraram receio quanto às reais intenções dos americanos nas negociações. Ele acrescentou que o processo de mediação pelo Paquistão não fracassou, mas encontra-se em "dificuldade". Araqchi reiterou na sexta-feira, 15 de maio de 2026, que o Irã tenta manter o cessar-fogo para dar uma chance à diplomacia, mas está preparado para retomar os combates. Os problemas que atrasam as negociações entre os dois lados incluem as ambições nucleares do Irão e o seu controle sobre o Estreito de Ormuz.

A declaração de Araqchi ocorreu horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que sua paciência com o Irã estava se esgotando. Em conversas com o presidente chinês Xi Jinping, Trump concordou que Teerã deveria reabrir o estreito, sublinhando a pressão internacional sobre a República Islâmica.

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