PRIORIDADE DE SAÚDE

OMS dedica resolução inédita à priorização global do combate ao AVC

Ilustração colorida de raio-x de humano com mancha vermelha no crânio que simula AVC.
Ilustração de raio-x de crânio com destaque em área vermelha simula um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Resolução histórica aprovada na 79ª Assembleia Mundial da Saúde estabelece diretrizes para prevenção, diagnóstico e tratamento do Acidente Vascular Cerebral, buscando reduzir mortes e incapacidades.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um passo inédito ao aprovar, durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, a primeira resolução dedicada exclusivamente ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). A decisão, tomada pela entidade, estabelece diretrizes cruciais para que os países intensifiquem ações de prevenção, diagnóstico rápido, tratamento de emergência e reabilitação de pacientes, impactando diretamente a dignidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. A medida é fundamental em um cenário onde o AVC se consolida como a segunda maior causa de morte global e uma das principais responsáveis por incapacidades permanentes, com projeções indicando que uma em cada quatro pessoas poderá sofrer um AVC ao longo da vida.

O documento, que não possui caráter de recurso imediato, recomenda que as nações fortaleçam toda a linha de cuidado da doença, desde o controle dos fatores de risco até o acesso a atendimento especializado e reabilitação, promovendo assim um cuidado mais humano e eficaz para os indivíduos afetados.

Pressão por políticas públicas para transformar a realidade do AVC

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, participou ativamente das discussões internacionais que culminaram na aprovação desta resolução histórica. Ela ressalta que o novo marco estabelece um mandato político global para priorizar a prevenção e o tratamento do AVC nos sistemas de saúde. "Recebemos essa resolução histórica com enorme responsabilidade. Agora temos um mandato político global para transformar a prevenção e o tratamento do AVC em prioridade nos sistemas de saúde", afirmou. A especialista acredita que a medida impulsionará investimentos e ajudará a mitigar as desigualdades no acesso ao tratamento, um ponto crucial para a dignidade humana. "Precisamos fortalecer políticas públicas, ampliar investimentos e garantir mecanismos efetivos de monitoramento e implementação para reduzir mortes e sequelas relacionadas ao AVC", destacou Sheila Martins. O documento também prevê apoio técnico da OMS para auxiliar os países na implementação dessas estratégias.

O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou reduzido, privando o tecido cerebral de oxigênio. Essa condição pode resultar em sequelas graves e fatais, afetando profundamente a autonomia e a dignidade do indivíduo. Os dois tipos principais são o isquêmico, causado por obstrução de um vaso, e o hemorrágico, resultante do rompimento de um vaso cerebral.

A neurologista Eva Rocha, professora de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reforça a importância das medidas preventivas, lembrando que cerca de 90% dos casos de AVC poderiam ser evitados com o controle adequado dos fatores de risco, como pressão alta, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo, doenças cardiovasculares e consumo excessivo de álcool. "Como 90% dos AVCs podem ser prevenidos com controle de fatores de risco, uma atenção à prevenção é fundamental", explicou.

As especialistas alertam que o reconhecimento rápido dos sinais de alerta é vital para salvar vidas e minimizar sequelas, preservando a integridade do indivíduo. Os sintomas mais comuns incluem fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alterações na visão, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa. "O AVC é uma causa importante de incapacidade e as pessoas podem não conseguir retornar ao trabalho. Portanto, o tratamento adequado e rápido desses pacientes é essencial para que eles tenham um retorno às atividades e o menor grau de incapacidade, assim como acesso à reabilitação", afirmou Eva Rocha, destacando o impacto duradouro da doença na vida dos pacientes e suas famílias.

A expectativa das organizações envolvidas é que a nova resolução da OMS motive investimentos em prevenção, melhorias na estrutura hospitalar, capacitação profissional e ampliação da conscientização pública sobre os sinais de alerta do AVC, promovendo um futuro com menos sofrimento e mais dignidade para todos.

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