ALERTA URGENTE
Oftalmologistas destacam urgência contra cegueira evitável do glaucoma
Principal causa de perda irreversível da visão, a doença atinge milhões e exige atenção redobrada com check-ups anuais a partir dos 40 anos.
Nesta domingo, 10 de maio de 2026, a comunidade médica e especialistas em saúde alertam para a crescente ameaça do glaucoma no Brasil, a principal causa de cegueira irreversível, mas totalmente evitável no país. A iniciativa, reforçada pelo mês de maio como período de conscientização global, busca frisar a urgência do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo, essenciais para preservar a visão e a autonomia de milhões de brasileiros ameaçados por essa doença silenciosa que compromete a dignidade e a qualidade de vida.
O impacto do glaucoma é profundo. Uma vez que a cegueira se instala, os tratamentos atuais não conseguem reverter a perda de visão. Esta dura realidade sublinha a importância crítica das ações preventivas e do acompanhamento médico regular.
Por que o glaucoma é uma ameaça tão comum?
A relevância do glaucoma é amplificada por sua alta incidência. Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia revelam a dimensão do problema: estima-se que mais de 1,7 milhão de brasileiros vivam atualmente com a doença. Este número preocupante tende a aumentar nos próximos anos, impulsionado pelo envelhecimento da população.
A doença já atinge cerca de 2% das pessoas com mais de 40 anos e pode ultrapassar os 6% após os 70. Contudo, esforços de diagnóstico e tratamento precoce já foram capazes de evitar a cegueira em aproximadamente 300 mil brasileiros nos últimos cinco anos. Este dado reforça o efeito direto do acompanhamento adequado e a importância vital de identificar a doença antes que ela cause danos irreversíveis aos olhos e à vida dos indivíduos.
É bastante comum que alguém tenha um familiar com glaucoma – um pai, uma tia, um avô. Essa recorrência não é mera coincidência: o histórico familiar é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
O maior risco: a ausência de sinais
O grande perigo do glaucoma reside precisamente em sua natureza traiçoeira: ele não manifesta sintomas iniciais. Não provoca dor, não causa vermelhidão, não incomoda o paciente em seu dia a dia. A perda de visão ocorre de maneira lenta e progressiva, e, de forma surpreendente, a pessoa afetada muitas vezes não percebe o que está acontecendo.
Pode parecer difícil de acreditar, mas é frequente que o paciente só note algo errado quando já perdeu completamente a visão de um dos olhos. Nesta fase avançada, o outro olho também já costuma estar comprometido, tornando o impacto na vida da pessoa ainda mais dramático e devastador, roubando-lhe a capacidade de enxergar o mundo e interagir plenamente.
Diagnóstico e tratamento: a chave para a eficácia
Felizmente, o diagnóstico do glaucoma é simples e depende primariamente da medição da pressão intraocular. Este exame faz parte da consulta oftalmológica de rotina, é rápido, indolor e absolutamente fundamental, especialmente para indivíduos a partir dos 40 anos de idade, quando o risco da doença começa a subir.
Em caso de suspeita, o oftalmologista solicita exames complementares para confirmar o diagnóstico. E aqui está a boa notícia: o tratamento do glaucoma é comprovadamente eficaz. Ele pode ser realizado com o uso de colírios ou, em alguns casos específicos, com aplicação de laser. A cirurgia é reservada para os estágios mais avançados da doença. O objetivo primordial de todas essas abordagens é reduzir a pressão dentro dos olhos e, dessa forma, deter a progressão da condição.
É crucial compreender que as fibras nervosas já danificadas não se regeneram. No entanto, o tratamento adequado consegue estabilizar o quadro, preservando a visão restante e evitando um maior comprometimento. Isso faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente, permitindo que ele mantenha sua independência e capacidade de desfrutar da vida.
Algumas pessoas enfrentam um risco aumentado de desenvolver glaucoma: aquelas com histórico familiar da doença, pacientes com alta miopia, indivíduos que já passaram por cirurgias oculares ou sofreram inflamações internas no olho. Além disso, pessoas da raça negra apresentam uma predisposição maior.
Diante de tudo isso, a mensagem é inequívoca: consultar um oftalmologista regularmente é um ato essencial de autocuidado. Após os 40 anos, esta relação com o especialista deve se tornar mais frequente. E, a partir dos 60, a recomendação é uma avaliação anual, seguindo a mesma lógica preventiva que aplicamos a outras importantes especialidades médicas.
A visão é um pilar fundamental para nossa autonomia, para o convívio social, para a capacidade de trabalho e para o simples prazer de viver. Cuidar da saúde dos olhos é um gesto simples, mas que pode ter um impacto imenso e positivo na trajetória de toda uma vida.
Medir a pressão ocular regularmente pode ser, literalmente, um dos melhores investimentos na sua qualidade de vida e independência no futuro. Não deixe que o glaucoma roube sua visão sem você perceber.
*Texto revisado a partir de contribuição de Rubens Belfort Neto, médico oftalmologista pela Escola Paulista de Medicina, especialista em retina e oncologia ocular.
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