DECISÃO RACIAL ABALA
Oficial exonerada do Itamaraty busca diálogo com governo após ter candidatura racial indeferida
Servidora pública exonerada do Itamaraty relata tentativas de contato com o Executivo e aguarda posicionamento da Justiça Federal sobre seu caso.
Uma servidora pública do Itamaraty, exonerada de seu cargo, buscou contato com o governo federal para entender as possibilidades de resolução para sua situação após ter sua candidatura racial indeferida. A oficial de chancelaria Flávia Medeiros afirmou que ainda não obteve retorno do Executivo.
A decisão de indeferimento foi baseada na avaliação de que a servidora não possui "traços fenotípicos inerentes à pessoa negra". Flávia Medeiros declarou à CNN Brasil nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, que está tentando dialogar com o governo para apresentar seu caso e encontrar "saídas".
"Eu tenho tentado buscar contatos com o governo federal, não obtive sucesso ainda para poder apresentar o meu caso especificamente. Eu gostaria muito de poder dialogar, entender quais são as saídas", afirmou.
A servidora aguarda em Brasília um posicionamento da Justiça Federal sobre o seu caso. Ela expressou a esperança de que um desembargador analise um agravo interno para reverter a decisão considerada injusta. "Caso não reverta, a gente vai continuar recorrendo, a gente vai esperar a decisão do colegiado também, com esperança de que decidam favoravelmente, caso contrário, vai ser necessário esperar o trânsito em julgado do meu processo de mérito, que a gente não faz a menor ideia de quando vai ser julgado", declarou.
Entenda o caso
A exoneração de Flávia Medeiros, que tomou posse como oficial de chancelaria do Itamaraty em abril, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira, 22 de maio de 2026. Sua candidatura foi indeferida em março de 2023, com o parecer da banca racial indicando que Flávia de Medeiros possui "pele de tonalidade clara, cabelos lisos e traços fisionômicos finos".
Após o parecer, a servidora entrou com recursos administrativos e judiciais. A Justiça Federal atendeu favoravelmente o recurso apresentado pela defesa, permitindo que ela continuasse participando de todas as etapas do processo seletivo, incluindo posse e nomeação. No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão judicial, argumentando que Flávia não poderia tomar posse antes do julgamento do mérito da questão. Isso implica que, mesmo mantendo a vaga, ela perde o cargo na prática até a decisão final.
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