FIM DA GUERRA TRAZ INCERTEZAS

O que acontecerá quando a guerra no Oriente Médio terminar e o Estreito de Ormuz for reaberto?

Imagem do Estreito de Ormuz com navios.
Estreito de Ormuz, via marítima vital para o transporte de petróleo.

Analistas apontam que a recuperação total do fluxo de petróleo e a normalização dos preços podem levar meses ou até anos, mesmo após o fim do conflito.

A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a paz com o Irã está próxima e o Estreito de Ormuz será reaberto marca um momento crucial no conflito. No entanto, a possibilidade de o Estreito voltar a operar livremente levanta uma série de questões complexas sobre o futuro do fornecimento global de petróleo e os impactos econômicos.

A verdade é que não há uma resposta exata para o que acontecerá quando a guerra terminar e o Estreito de Ormuz for reaberto. A normalização do mercado energético envolverá um processo multifacetado e demorado. Primeiro, cerca de 166 petroleiros, transportando aproximadamente 170 milhões de barris de petróleo, precisam sair do Golfo Pérsico. Conforme Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler, essa liberação permitirá a entrada de navios vazios para carregamento.

Victoria Grabenwöger, analista sênior de petróleo da Kpler, estima que a restauração da capacidade total de transporte de petroleiros pode levar até três meses. Paralelamente, a redução dos estoques será um fator importante. A boa notícia é que as refinarias mantiveram um pragmatismo no armazenamento, evitando o enchimento completo dos estoques, o que pode acelerar o reinício das operações. Contudo, mesmo estoques acima do normal ainda afetarão a retomada da produção de petróleo em plena capacidade.

O terceiro ponto crucial é o recomeço da produção. Os poços de petróleo do Oriente Médio foram amplamente desativados durante o conflito. Reativar a produção não é um processo simples como apertar um interruptor; é um desafio de engenharia que exige semanas de trabalho. A operação de ligar os poços deve ser gradual para evitar o colapso dos reservatórios de petróleo bruto, necessitando de perfuração adicional e reparos substanciais. A reinjeção de água e gás nos poços, vital para manter a pressão, demanda um reequilíbrio delicado e coordenação entre empresas e países, dada a proximidade das grandes instalações.

Por fim, os reparos na infraestrutura danificada são um desafio significativo. Refinarias, produtoras de gás natural e instalações de petróleo sofreram danos durante a guerra. Algumas empresas alertam que a conclusão dos reparos em infraestruturas críticas pode se estender por anos. Esses fatores pressupõem o fim definitivo da guerra e a ausência de novas interrupções no Estreito de Ormuz.

A trajetória recente tem sido marcada por promessas de paz instáveis, que mantiveram os preços do petróleo elevados. Houve casos em que o Irã cedeu à reabertura do Estreito, mas reverteu a decisão alegando violações por parte dos Estados Unidos e Israel. Além disso, empresas de navegação precisam de garantias de segurança para transitar pela região. As seguradoras, que já aumentaram drasticamente os preços dos seguros marítimos, podem hesitar em oferecer cobertura acessível enquanto a situação permanecer volátil.

Em relação aos preços, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em pouco mais de US$ 100 por barril. Analistas do JPMorgan projetam uma média de US$ 97 por barril para o restante do ano, caso o Estreito seja aberto em junho. Historicamente, para que o preço da gasolina baixe para US$ 3 por galão, o Brent precisa estar na faixa de US$ 60, um cenário que, segundo Michael Green, estrategista-chefe da Simplify Asset Management, não é previsto antes de 2032. Importante notar que o Irã já questionou a declaração de Trump, afirmando que a reabertura aos níveis pré-guerra não significa "livre passagem" como antes do conflito, conforme divulgado pela agência de notícias estatal iraniana Fars.

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