SAÚDE MENTAL DIGITAL

O problema não é o celular: é o que acontece com você quando fica sem ele

Pessoa segurando celular com expressão de ansiedade e isolamento.
O uso abusivo do celular camufla necessidades emocionais e altera o funcionamento cerebral.

O uso excessivo de telas reflete a busca por recompensas imediatas e pode gerar dependência emocional. Entenda como o FOMO e a comparação constante afetam o cérebro.

A necessidade constante de estar conectada às redes sociais tem transformado profundamente a rotina, gerando transtornos sociais, familiares e psicológicos. Essa demanda por atenção plena ao ambiente virtual muitas vezes resulta em um distanciamento da própria essência, onde a conexão com o mundo externo sobrepõe a conexão consigo mesma.

A aceleração pela busca de informações desenfreadas cria um estado de alerta permanente. Embora as redes sociais quebrem barreiras geográficas, proporcionando proximidade, essa interação permanece essencialmente virtual, frequentemente mascarando uma carência emocional subjacente.

O impacto do FOMO e a ilusão do controle

O conceito de "Fear Of Missing Out" (FOMO), ou medo de perder algo, traduz uma angústia profunda que impulsiona a compulsão por estar incluído em todas as esferas digitais. Segundo a psicóloga Dorli Kamkhagi, Head de Psicologia da Brazil Health, o celular muitas vezes assume um lugar simbólico, funcionando como um objeto de suporte — um conceito desenvolvido por Winnicott — que tenta conferir segurança ao indivíduo e mitigar sentimentos de fragilidade.

Essa dependência é alimentada por um ciclo de recompensa cerebral. Conforme aponta Daniel Liberman em seu livro "Dopamina: a molécula do desejo", o cérebro é estimulado pela novidade e pela busca constante por mais, o que pode desencadear comportamentos viciantes.

A sociedade do cansaço e a busca por limites

O filósofo Byung-Chul Han, em sua obra "A sociedade do cansaço", alerta para os riscos do excesso de positividade e da busca incessante pelo desempenho. Essa cultura de vidas perfeitas, visíveis no Instagram, atua como um detonador de frustrações, ao comparar a realidade pessoal com recortes idealizados de terceiros.

O caminho para enfrentar esse adoecimento, de acordo com profissionais da área, passa pela psicoterapia. O tratamento permite que o indivíduo reconheça suas fragilidades, entenda o vazio que tenta preencher e estabeleça limites saudáveis para o uso das tecnologias. A tecnologia é uma ferramenta valiosa de informação e pesquisa, mas sua eficácia depende do equilíbrio: se a dose for excessiva, o remédio pode se tornar a causa do adoecimento.

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