VOTO SEGURO

Nunes Marques propõe dupla checagem de urnas para 2026

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral em sessão
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) busca ampliar a confiança nas urnas eletrônicas, após questionamentos que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2023. Imagem: Sérgio Lima/Poder360.

Medidas envolvem os dois primeiros e os dois últimos eleitores, que acompanharão a emissão da Zerésima e a apuração do Boletim de Urna.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou em fevereiro de 2026, sob relatoria do ministro Nunes Marques, novas regras para a fiscalização das urnas eletrônicas nas eleições gerais deste ano. As medidas visam fortalecer a transparência e a confiança no processo eleitoral, assegurando que os votos dos cidadãos sejam contabilizados com absoluta fidelidade e dirimindo dúvidas que historicamente circundam a lisura do sistema. O ministro Nunes Marques assume a presidência do TSE nesta terça-feira, 12 de maio de 2026.

Com as novas regras, o TSE detalhou o procedimento de dupla checagem das urnas nos dias de votação. Esta norma aprimora uma prática já comum em outras eleições: a apresentação de documentos que atestam, para os primeiros e últimos eleitores, que as urnas não foram violadas e que os votos foram contabilizados corretamente.

Na prática, os dois primeiros eleitores de cada seção são convidados a assistir à emissão da Zerésima, um documento impresso que atesta que nenhum voto foi depositado na urna eletrônica antes do início do pleito. As resoluções de 2026 estabelecem que, embora o registro seja feito pelo mesário, os eleitores podem participar ativamente do processo e, em caso de recusa da fiscalização, o fato deverá ser registrado em ata. As íntegras das resoluções eleitorais podem ser consultadas aqui.

Um procedimento semelhante ocorre ao final da votação. O mesário convoca os dois últimos eleitores para acompanhar o fechamento da seção eleitoral. Esses eleitores estarão aptos a ter acesso a uma via do Boletim de Urna – documento que mostra a apuração automática, com a soma dos votos de cada candidato depositados naquela seção específica.

Com a dupla checagem, o objetivo é esclarecer e dar maior transparência para o processo de contagem de votos, envolvendo diretamente o eleitor. Contudo, a divulgação pública do Boletim de Urna e da Zerésima já é uma prática nos pleitos, inclusive em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL).

A novidade é que as resoluções de 2026 detalham o passo a passo para permitir que os dois primeiros e os dois últimos eleitores acompanhem o processo, tornando a participação cidadã mais explícita e formalizada.

QUESTIONAMENTO DAS URNAS

A eleição geral de 2022 foi marcada por intensas campanhas que semearam dúvidas sobre a lisura do processo de votação, gerando desconfiança. Em 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político, após usar um encontro com embaixadores para propagar alegações que questionavam a validade das urnas.

Em 2025, ao condenar o ex-presidente por tentativa de golpe de Estado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de uma campanha orquestrada para desacreditar a Justiça Eleitoral e as urnas, visando fomentar um plano de ruptura institucional.

NOVA COMPOSIÇÃO DO TSE

Nunes Marques comandará as eleições gerais de 2026, enquanto o ministro André Mendonça assume a vice-presidência.

Eis a nova composição do TSE:

  • Nunes Marques (STF), na presidência;
  • André Mendonça (STF), na vice-presidência;
  • Dias Toffoli (STF);
  • Antonio Carlos Ferreira (STJ), corregedor-geral da Justiça Eleitoral;
  • Ricardo Villas Bôas Cueva (STJ);
  • Floriano de Azevedo Marques (advocacia);
  • Estela Aranha (advocacia).

Nunes Marques sucede a ministra Cármen Lúcia, que estava à frente do TSE desde junho de 2024.

Perfil e trajetória

De perfil discreto, Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2020 – ainda durante a pandemia de covid-19 – na vaga aberta pela aposentadoria de Celso de Mello. À época, o indicado era juiz de 2º grau do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), com boa interlocução com políticos e ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo.

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