IDOSOS NO MERCADO
Número de pessoas 60+ no mercado de trabalho sobe 53% em 10 anos, aponta pesquisa Nexus
Pesquisa da Nexus, baseada em dados do IBGE, revela crescimento de 53% no contingente de trabalhadores com 60 anos ou mais entre 2016 e 2025, mas aponta aumento da informalidade.
O emprego para pessoas com 60 anos ou mais tem crescido no Brasil de forma proporcionalmente mais acentuada do que para outros grupos da população no mercado de trabalho. Contudo, essas vagas frequentemente vêm acompanhadas de maior informalidade, o que significa ausência de carteira assinada e, consequentemente, menor proteção trabalhista. Nesta sexta-feira, 12/06/2026, a análise desses dados ganha destaque com a divulgação de um estudo que joga luz sobre as condições e o impacto dessa tendência na dignidade dos trabalhadores mais velhos.
Nos últimos dez anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais ativas no mercado de trabalho saltou 53%. No mesmo período, o tamanho dessa parcela da população na sociedade brasileira cresceu 37%. Essa discrepância evidencia que a inserção de idosos no mercado de trabalho avança em ritmo mais acelerado que o envelhecimento populacional.
A constatação é parte de um estudo divulgado esta semana pela empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus. Entre 2016 e 2025, o contingente de idosos no país evoluiu de 25,8 milhões para 35,2 milhões, elevando sua representatividade de 13% para 17% da população total. Paralelamente, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais expandiu-se de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões. Ao final de 2025, um quarto (25%) das pessoas com 60+ estava ocupado, um recorde nos últimos dez anos, superando a taxa de 22% registrada em 2016. Em comparação, o crescimento populacional geral no Brasil foi de 5% no período, atingindo 212,6 milhões de habitantes, enquanto o número total de empregos cresceu 14,6%, chegando a quase 103 milhões de trabalhadores.
Meio cheio, meio vazio: perspectivas sobre o trabalho 60+
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve os resultados como um cenário "meio cheio, meio vazio". "Por um lado, a gente pode celebrar o fato de que as pessoas quando chegam aos 60, 70 anos, ainda estão com uma capacidade ativa para o trabalho", afirmou à Agência Brasil. No entanto, ele aponta para uma crescente precarização do período que seria comumente destinado à aposentadoria, afetando inclusive indivíduos com 75 anos. "A pessoa que tem 75 anos de idade que, em tese, já deveria estar gozando da sua aposentadoria e muitas vezes precisa continuar trabalhando provavelmente para complementar a sua renda", explicou Tokarski, destacando o impacto direto na dignidade e segurança financeira desses indivíduos.
Tipos de trabalho e influências na carreira sênior
O levantamento da Nexus utilizou como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa do IBGE abrange o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, contemplando todas as formas de ocupação, com ou sem carteira assinada, temporárias e por conta própria. Apenas quem busca ativamente uma vaga é considerada desocupada.
Tokarski sugere que a reforma da Previdência de 2019 pode ser um dos fatores que explicam o aumento de pessoas 60+ no mercado. "A última reforma da Previdência subiu a idade mínima e também o tempo de contribuição, isso força as pessoas a trabalharem mais", analisou. A reforma elevou a idade mínima para aposentadoria a 62 anos para mulheres (com 15 anos de contribuição) e 65 anos para homens (com 20 anos de contribuição), impactando a decisão de permanecer ou retornar ao mercado de trabalho.
A realidade da informalidade entre trabalhadores 60+
O estudo da Nexus revelou que, para mais da metade (53%) dos trabalhadores com 60 anos ou mais, a informalidade é uma realidade mais presente do que em outros estratos populacionais (38% na população geral e 41% entre jovens de 18 a 24 anos). O IBGE classifica como informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, que não contam com direitos como férias, contribuição para a Previdência Social e décimo terceiro salário. Marcelo Tokarski reforça que "isso indica uma precarização do trabalho". "Um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado. Enquanto o jovem, muitas vezes, consegue focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o 60+ migra rapidamente para a informalidade", concluiu, evidenciando a vulnerabilidade e a necessidade de políticas de inclusão que garantam dignidade.
Uma das conclusões da pesquisa enfatiza a necessidade de "políticas públicas de incentivo à formalização e de uma revisão urgente das estruturas corporativas de ergonomia, benefícios e inclusão geracional" para a sustentabilidade econômica do país, ressaltando o impacto social e econômico da permanência de idosos no mercado de trabalho sob condições precárias.
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