ALERTA DE CAOS
Número de mortes por terremoto na Venezuela sobe para 2.295, com alertas de epidemia
Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta para risco de epidemias e sistema de saúde colapsado após abalos sísmicos de 24 de junho. Milhares desabrigados enfrentam condições insalubres.
O número de mortos em decorrência dos fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 2.295, conforme comunicado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A decisão de atualizar o balanço, divulgado nesta quarta-feira, 01/07/2026, também indicou que 12.841 pessoas foram afetadas pelos tremores. A persistência dos abalos e a dificuldade em retirar corpos dos escombros apontam para uma subnotificação dos números oficiais, com a sociedade civil e organizações humanitárias trabalhando em resgates paralelos à resposta governamental.
A infraestrutura sanitária do país, já fragilizada por anos de crise econômica e subinvestimento, atingiu o limite. Hospitais foram danificados, equipes médicas estão sobrecarregadas e há relatos de falta de pessoal, o que eleva o risco de surtos de doenças infecciosas em meio à população desabrigada. As condições insalubres em abrigos improvisados e a escassez de água potável e saneamento básico intensificam a vulnerabilidade de milhares de pessoas, especialmente de 680 mil crianças que necessitam de assistência humanitária imediata, conforme estimativa do UNICEF.
Especialistas em gestão de desastres afirmam que, embora o período crítico para resgate de sobreviventes geralmente se encerre em 72 horas, a possibilidade de encontrar mais pessoas vivas persiste, dependendo de fatores como temperatura e acesso a suprimentos básicos. No entanto, o número oficial de resgates realizados pelas autoridades caiu drasticamente nos últimos dias, totalizando apenas quatro pessoas encontradas vivas na segunda-feira, 29 de junho, em comparação com 5.380 nos dois dias iniciais após os sismos. Essa disparidade levanta questionamentos sobre a eficácia da resposta oficial.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através de seu porta-voz Christian Lindmeier, alertou que o sistema de saúde venezuelano está sob "extrema pressão", com instalações operando acima da capacidade e relatos de prestação de serviços caótica, sobrelotação e atrasos cirúrgicos. A avaliação de 21 instalações de saúde danificadas pela OMS revelou que três não estão mais em funcionamento e outras seis sofreram danos significativos, agravados pela falta de pessoal qualificado, uma vez que muitos profissionais de saúde deixaram o país nos últimos anos. A agência da ONU para refugiados, por meio de sua porta-voz Carlotta Wolf, informou que mais de 15.800 pessoas foram oficialmente deslocadas, mas esse número deve aumentar, especialmente em áreas como o estado de La Guaira, onde a escassez de alimentos é generalizada.
Diante da demora na resposta oficial e da falta de informações sobre o paradeiro de desaparecidos, muitos venezuelanos recorrem a grupos de WhatsApp e bancos de dados não governamentais para buscar familiares. Estima-se que quase 59.000 edifícios foram danificados ou destruídos, o que pode elevar o número de desaparecidos. Em resposta à crise, organizações não governamentais como a Cruz Vermelha e o Programa Alimentar Mundial montaram tendas de apoio em La Guaira e arredores, oferecendo itens essenciais, alimentos e assistência médica a uma população que luta pela sobrevivência e pela dignidade em meio à tragédia.
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