NORDESTE EM FOCO

Nordeste se consolida como polo estratégico de desenvolvimento do país, afirmam líderes em evento

Líderes discutindo o desenvolvimento do Nordeste em evento.
O evento "Nordeste em Pauta" reuniu lideranças para discutir o futuro da região.

Líderes do Banco do Nordeste, BNDES e Sudene destacam crescimento, investimentos em energia limpa e infraestrutura, além de políticas públicas que reposicionaram a região. O evento "Nordeste em Pauta" aconteceu em Brasília nesta quinta-feira, 18/06/2026.

O Nordeste consolidou-se como um polo estratégico para o desenvolvimento do Brasil, impulsionado por seu crescimento acelerado e por fatores que o diferenciam no cenário nacional. Essa constatação foi um dos pontos altos da 3ª edição do evento "Nordeste em Pauta", realizado em Brasília nesta quinta-feira, 18/06/2026, que reuniu importantes líderes financeiros e governamentais para discutir os resultados e as perspectivas da região.

Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste, abriu o debate destacando a transformação regional. "Durante muito tempo, o Nordeste foi visto apenas como uma promessa; hoje, consolidou-se como um polo estratégico para o desenvolvimento do país", afirmou. Ele ressaltou que a taxa de desemprego na região recuou para cerca de 8%, reflexo da forte abertura de vagas formais. Além disso, o Nordeste concentra aproximadamente 28% da capacidade de geração de energia limpa do país, atraindo cada vez mais o interesse de investidores e empresários.

Eduardo Tavares, secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, reforçou essa visão, declarando que o Nordeste é uma região do presente, reposicionada globalmente. Ele elogiou o Banco do Nordeste por sua "dedicação exemplar à região" e mencionou a Ferrovia Transnordestina como um projeto de infraestrutura estratégico, com investimentos que já ultrapassam R$ 15 bilhões, reforçando o compromisso com o desenvolvimento nacional.

Roberto Garibe, secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), representando Miriam Belchior, ministra da Casa Civil da Presidência da República, apontou o Novo PAC como um motor de investimentos, com 17 mil empreendimentos distribuídos pelo Nordeste, dos quais cerca de um terço já foram concluídos. Ele destacou a saúde como um carro-chefe desses investimentos, exemplificado pela universalização do SAMU com aquisição de equipamentos nacionais.

Maria Fernanda Coelho, diretora do BNDES e presidente da ABDE, explicou que a região registrou um crescimento acima da média nacional devido a uma decisão política estratégica de colocar o Norte e o Nordeste no centro das políticas públicas. "O primeiro passo foi valorizar a extraordinária diversidade da região", disse. Ela detalhou a atuação do BNDES com foco em treinamento de instituições financeiras parceiras, orçamento exclusivo e taxas diferenciadas, o que resultou em um crescimento de 98% nas aprovações do banco para a região no primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 3,38 bilhões.

Francisco Ferreira Alexandre, superintendente da Sudene, comemorou o crescimento econômico do Nordeste, que tem atraído olhares de investidores nacionais e internacionais. Ele enfatizou o desafio de equalizar o desenvolvimento de forma justa e equilibrada entre os polos mais dinâmicos da região e a necessidade de reter esses investimentos. "O Nordeste reúne todos os atributos para atrair investimentos", ressaltou.

João Paulo Rodrigues, diretor da Neoenergia, complementou que o Nordeste responde por 28% da capacidade instalada de energia no país, com 90% do portfólio eólico em construção previsto para a região. Ele também destacou que o combate à disparidade regional passa pela interiorização do desenvolvimento, incentivando que cadeias produtivas e fornecedores se instalem localmente.

José Aldemir Freire, diretor de Planejamento do Banco do Nordeste, atribuiu o novo momento do Nordeste a decisões políticas, observando que o crescimento atual é mais dinâmico e desconcentrado geograficamente e em termos de atividades econômicas. Ele ressaltou a importância de ampliar a oferta de crédito e apoiar a busca por novos mercados para diversificar a economia regional.

Em relação à matriz energética, João Paulo Rodrigues apontou que o setor elétrico, apesar de possuir uma matriz renovável competitiva, vive um novo momento com foco em integração da rede, flexibilidade operacional e resiliência do sistema, além da agregação de valor aos produtos locais. A conclusão da Ferrovia Transnordestina até Pecém, no Ceará, foi citada como crucial para a integração logística e exportação marítima. O superintendente da Sudene reforçou a urgência de investimentos em projetos hídricos para garantir um crescimento econômico sustentável a longo prazo, equilibrando a disponibilidade de água com a demanda crescente.

A rápida resposta do governo federal ao reajuste tarifário do ano passado foi vista como crucial para proteger o agronegócio e a agricultura familiar, com medidas como o programa "Brasil Soberano", implementado em setembro, que garantiu estabilidade e evitou prejuízos ao setor produtivo.

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