FENÔMENO CLIMÁTICO CONFIRMADO

NOAA confirma chegada do El Niño e alerta para possíveis impactos globais

Variações no nível do mar no Oceano Pacífico Equatorial em junho de 2026, indicando a formação do El Niño.
Imagem do satélite Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA exibe variações no nível do mar em junho de 2026, com áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño.

Agência dos Estados Unidos aponta que condições do El Niño estão presentes e devem se intensificar. Impactos no Brasil incluem alteração de chuvas e aumento de calor.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a formação do El Niño. O fenômeno climático natural ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial aquecem acima do normal. A agência climática dos EUAel projeta que as condições se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, gerando atenção para seus efeitos globais.

A confirmação, antecipada por meteorologistas após meses de aquecimento gradual no Pacífico e projeções de alta probabilidade, eleva o debate sobre a intensidade que o El Niño poderá alcançar. Em maio, a NOAA já estimava em 82% a chance de desenvolvimento do fenômeno, número agora superado pela confirmação oficial.

O El Niño, junto com seu oposto La Niña, compõe o ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado por um aquecimento igual ou superior a 0,5°C nas águas do Oceano Pacífico equatorial. Comumente ocorrendo a cada dois a sete anos e durando cerca de doze meses, o fenômeno tem influência direta no aumento da temperatura global. Seus efeitos, assim como os da La Niña, são significativos, mas em direções opostas.

Imagem de satélite mostrando variações no nível do mar em junho de 2026, com áreas vermelhas indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, um sinal típico do desenvolvimento do El Niño.
Imagem do satélite Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA exibe variações no nível do mar em junho de 2026, com áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño.

No Brasil, os impactos do El Niño se manifestam de forma regionalizada. Historicamente, a região Sul tende a registrar aumento de chuvas, elevando o risco de temporais e cheias. Em contrapartida, o Norte e partes do Nordeste podem experimentar redução nas precipitações, agravando períodos de seca. As regiões Sudeste e Centro-Oeste podem vivenciar efeitos mais irregulares, com maior frequência de calor, distribuição desigual de pancadas de chuva e alterações no comportamento das frentes frias.

A combinação do El Niño com um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas gera preocupação. Embora o fenômeno seja uma variação natural, sua ocorrência em um cenário de aquecimento global pode intensificar extremos de calor, secas e chuvas torrenciais. A NOAA aponta uma probabilidade de 63% de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, o que o classificaria entre os maiores eventos registrados desde 1950.

Um El Niño forte pode comprometer a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia, aumentar a incidência de queimadas e influenciar o preço de alimentos. A definição de um "super El Niño" — termo informal para eventos de grande intensidade, como os de 1982-83, 1997-98 e 2015-16 — dependerá do aquecimento futuro do Pacífico Equatorial e da resposta da atmosfera. A persistência e o acoplamento do sistema oceano-atmosfera são cruciais para determinar a intensidade do fenômeno.

Desde 2006, eventos de El Niño têm contribuído para mudanças climáticas globais, mesmo quando classificados como fracos ou moderados. O aquecimento global, principal fator por trás das alterações climáticas, potencializa os efeitos desses fenômenos naturais. Com oceanos já mais quentes que a média histórica, a expectativa é de temperaturas elevadas persistentes em diversas regiões do planeta.

Projeção da agência dos Estados Unidos indica crescimento da chance de El Niño ao longo de 2026, com intensidade ainda indefinida.
Projeção da agência dos EUA, NOAA, mostra o aumento da chance de El Niño ao longo de 2026; a intensidade do fenômeno segue indefinida.

Os impactos esperados no Brasil incluem um aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão, além de maior risco de eventos extremos no Sul. O aquecimento global, contudo, permanece como o principal motor das mudanças climáticas, somando-se aos efeitos do El Niño e garantindo a expectativa de temperaturas elevadas em várias partes do globo.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário