RISCO ÀS INSTITUIÇÕES

Neutralidade democrática de eleitores representa ameaça grave, indica estudo da Universidade de Notre Dame

Urnas de votação e conceito de democracia sob análise técnica.
Pesquisa da Universidade de Notre Dame revela que a neutralidade democrática pode ser tão danosa quanto o apoio explícito ao autoritarismo.

Pesquisadores apontam que cidadãos indiferentes a normas democráticas facilitam a ascensão de políticos autoritários nas urnas.

A parcela do eleitorado que adota uma postura de neutralidade diante de práticas antidemocráticas configura um risco silencioso, mas profundo, à estabilidade das instituições, segundo conclusão de estudo publicado em maio de 2026 na revista Nature Human Behaviour. A investigação realizada pela Universidade de Notre Dame, nos EUA, identificou que essa neutralidade funciona como uma carta branca para líderes que ignoram normas e a Constituição.

A decisão de publicar os dados, que trazem um alerta global sobre o comportamento político, foi consolidada após análise técnica de três pesquisas nacionais. O estudo, assinado pelos pesquisadores Matthew Hall, B. Tyler Leigh e Brittany Solomon, ganhou relevância em 20/07/2026 por desconstruir a ideia de que a maioria da população protege o regime democrático apenas por não apoiar atos de força abertamente.

O conceito central da pesquisa gira em torno do grupo identificado como NUP (neutralidade em relação a práticas antidemocráticas). Ao contrário dos grupos que se opõem (OUP) ou apoiam (SUP) essas práticas, os neutros não se posicionam, comportamento que, na prática, gera o mesmo efeito destrutivo nas urnas. O estudo revelou que cerca de metade dos americanos manifesta essa neutralidade, permitindo que candidatos minem processos democráticos sem sofrer punições eleitorais imediatas.

Essa dinâmica reverbera em diferentes democracias. No Brasil, o fenômeno foi observado durante a trajetória de Jair Bolsonaro (PL) e a eleição de 2018, onde, apesar de declarações antidemocráticas, a sustentação política persistiu. Da mesma forma, nos EUA, a votação massiva em Donald Trump, mesmo diante de ataques frequentes a juízes e ao sistema eleitoral, exemplifica como a tolerância da massa neutra viabiliza retrocessos.

Os pesquisadores identificaram que essa neutralidade é motivada majoritariamente pela condicionalidade — quando o eleitor aceita a violação de regras se o resultado político beneficiar suas preferências. Esse comportamento cria uma zona de conforto para líderes que desprezam a Constituição e a liberdade de imprensa. Ao desmistificar a falsa segurança de que a neutralidade seria um escudo democrático, os autores alertam que a democracia não está protegida apenas pelo silêncio dos eleitores, mas depende da oposição ativa aos desvios de poder.

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